Comunidades Açorianas

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Language:
do genocídio linguístico a daniel de sá e outros
Languages available:
J. CHRYS CHRYSTELLO
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Originally
wrote in:
Portuguese
Other informations:
Co-Author(s):
Type:
Scientific
Topic:
Language and Literature
Subtopic:
crónica
Geographic reference of content:
Lomba da Maia, Portugal
First Published Reference:
2008
Keywords:
literatura açoriana, daniel de sa, genocidio linguistico
Abstract:
O número de línguas está a diminuir drasticamente. Trata-se de genocídio linguístico: as línguas são sistematicamente abatidas. Os países ocidentais têm silenciado centenas de línguas. Algumas podem ter já desaparecido sem que ninguém se tenha apercebido da sua extinção. Metade delas desaparecerá até ao fim do século. A tradição oral preserva formas verbais e não-verbais. A História australiana não nos diz qual o papel desempenhado pelos intérpretes e nativos vital para o desenvolvimento da colónia. Embora tenham características únicas, os dialectos dos arquipélagos atlânticos dos Açores e Madeira podem, agrupar-se nos dialectos meridionais. “O debate académico em torno da expressão «literatura açoriana», é antigo, nada causava tantos embaraços como falar em literatura açoriana. Hoje, é questão arrumada. A Universidade de Brown tem uma cadeira de Literatura Açoriana. Recentemente tive a honra e o privilégio de ter de aprender as idiossincrasias micaelenses e do triângulo quando traduzi obras de Daniel de Sá, Manuel Serpa e Vítor Rui Dores. Trata-se de desvendar as ilhas como mito paradisíaco recuando na sua essência até à infância dos autores, sem perder de vista que as ilhas reais já se abriram ao peso do presente e não podem ser apenas perpetuadas nas suas memórias. No plano da linguagem, o Autor dá-se ao luxo de exportar, por efeitos de mimética, para a Beira Alta, o seu herói em busca de um amor perdido no léxico e na sintaxe dos velhos montes escalavrados por entre o pastoreio, numa verdadeira apologia da solidão física e mental. Existe uma interdependência do autor, dos personagens e do leitor que nos levou a ver e rever dezenas de vezes, uma só passagem do livro para lhe darmos o tom, o colorido, a sonoridade e a poesia das prosas. O resultado é rico, denso e tenso, enovelando em diálogos simples e curtos um enredo que nos prende da primeira à última página e me levou a interrogar como é fiquei órfão intelectual ao traduzir o livro. ... sinto um síndroma de Estocolmo, fiquei cativo, apaixonei-me pelos captores...e agora? As línguas têm de ser mantidas, tratadas e estimadas. Elas não dividem países, a intolerância sim. A sobrevivência dos idiomas neste século depende de todos nós[1], pelo que devemos aproveitar as novas tecnologias para também descobrir esta nossa rica cultura açoriana”
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