Carlos Magno foi o representante mais importante da Dinastia Carolíngia, e por meio dele originou-se a batalha dos Doze Pares de França, resultando assim nas tradicionais e lendárias Cavalhadas. Muitos povos, que foram conquistados pelo cristianismo europeu, ainda conservam essa tradição. Há indícios que no Brasil talvez as Cavalhadas deva ter iniciado por meio de jogos de argolinhas. As Cavalhadas é a representação da luta entre Mouros e Cristãos. Na cidade de Pirenópolis estado de Goiás-Brasil a batalha é representada desde 1826 é considerada nacionalmente a mais bonita, a mais rica e a mais famosa.
Por Célia Fátima de Pina¹
A tradição folclórica das Cavalhadas no mundo vem de longos tempos de acordo com MELLO e COSTA (1984):
Em 732, quando os árabes, após conquistarem a Península Ibérica, marchavam sobre o restante da Europa Cristã, o major Domus Carlos Martel comandou as tropas que barraram o avanço muçulmano, derrotando-os na batalha de Poitiers².
Alguns anos mais tarde, o filho de Carlos Martel, Pepino, o Breve, com o apoio da Igreja, afastou o último soberano merovíngio. Proclamou-se, então, rei dos francos, inaugurando a Dinastia Carolíngia, que assim ficou conhecida devido ao nome do mais importante de seus representantes, Carlos Magno.
O primeiro rei Carolíngio morreu em 768, sendo sucedido por seus filhos Carlos e Carlomano. Com a morte deste em 77l, Carlos não respeitou o direito dos sobrinhos, anexou os territórios de seu irmão e assumiu sozinho o Reino Franco.
Carlos Magno passou quase toda a vida a guerrear. Realizou, aproximadamente 60 expedições em 45 anos de reinado. Para tanto, contou com um numeroso exército.
Apoiadas pela Igreja, as campanhas militares de Carlos Magno possibilitaram tanto a expansão do Reino Franco como a difusão do Cristianismo.
Continuou a luta iniciada por Pepino, o Breve, contra os lombardos, muçulmanos e as tribos germânicas pagãs.
O Oeste, Carlos Magno passou com seus guerreiros os Pirineus (777), tomou aos árabes várias cidades, porem sofreu uma derrota e regressou a seu país (França).
Durante a retirada, um destacamento sob o comando de Rolando foi aniquilado pelos vascos nos desfiladeiros de Roncesvalles nos Pirineus, quando voltava da fracassada tentativa de reconquistar Saragoça (Espanha), em 778.
Foi nos cantos dedicados a esse acontecimento, e que falam do heroísmo de Rolando e de sua fidelidade a Carlos Magno que teve origem o grande poema Canção de Rolando, episódio derivado da Chanson de Roland, canção de gesta francesa do século XII.
Por volta do ano 800, quase toda a Europa Centro-Ocidental estava unificada sob o poder de Carlos Magno. Com isso, o ideal de uma Europa unificada sob a liderança de um império universal e cristão renascia na Idade Média.
A coroação de Carlos Magno, como Imperador pela Igreja ocorreu no ano 800.
O Papa Leão III, pontífice da época, era acusado de tirânico. A própria população romana, insatisfeita, rebelou-se, obrigando-o a fugir da cidade. Exilado, Leão III apelou para o auxílio de Carlos Magno. Este assumiu sua defesa e o recolocou no trono pontifício.
No Natal do ano 800, o então rei dos francos encontrava-se orando na Basílica de São Pedro. Diante do altar, com a cabeça inclinada, em oração, Carlos Magno foi surpreendido pelo papa Leão III, que lhe pôs uma coroa à cabeça, enquanto o povo romano rompia em aclamações. “A Carlos Augusto, coroado por Deus, grande e pacífico imperador dos romanos, vida e vitória”, foram as palavras do papa ao coroar Carlos Magno.
Para PEREIRA (1984) Carlos Magno era guerreiro e justiceiro, tinha bom coração, herói de muitos contos e lendas. Lutou contra os pagãos, juntamente com os Doze Pares de França, entre outros: Roldões, Oliveiros, Duque de Nemé e Gui de Borgonha.
Toda essa herança cultural se espalhou pela Europa e conseqüentemente o Brasil, por essa influência da cultura Lusitana, foi herdeiro dessa tradição inspirada nas batalhas de Carlos Magno com os Doze Pares de França. Surgiram então as Cavalhadas que serão encenadas em várias cidades brasileiras.
PEREIRA (1984) faz um levantamento do surgimento das Cavalhadas no Brasil:
Há comprovação, através do mais velho documento, que a cavalhada chegou ao Brasil na forma de jogo de argolinha, se bem que apresentasse outros diferentes brinquedos eqüestres. Esse documento é de l584 e reporta-se a uma realização levada a efeito em Pernambuco.
Com destaque para o jogo de argolinha, seguem-se a de l609, na Bahia, e outras de Pernambuco e Rio de Janeiro, em l64l.
A primeira referência da Cavalhada de Mouros e Cristãos é a de festa no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVIII, ao tempo dos Vice-Reis.
Essas Cavalhadas tiveram como texto inspirador o livro História de Carlos Magno e os Doze Pares de França. A propósito, há menção a Pohl, que viveu no Brasil entre l8l7 e l82l, afirmando que essa obra era encontrada em todo o interior do país e muito apreciada pelo povo.
Entre outras coisas, o que fica inteiramente esclarecido é que a Cavalhada, teatro folclórico, procede-se de uma aculturação espanhola, e enquanto cortejo de festa de santo é de aculturação portuguesa.
A Cavalhada cumpre uma função, na atualidade brasileira, como resposta a uma necessidade e expressão de teatro ligada às comemorações importantes para as coletividades, em especial as religiosas.
Apresentamos alguns estados e cidade, onde ocorreram as primeiras manifestações das cavalhadas:
Pernambuco: Itamaracá, Olinda e Recife.
Bahia: Ilhéus, Porto Seguro e Salvador
Rio de Janeiro: Angra dos Reis, Juparamã, Niterói e Rio de Janeiro.
As Cavalhadas da cidade Pirenópolis estado de Goiás é considerada nacionalmente a mais bonita, a mais rica e a mais famosa. Tem atraído vários pesquisadores tanto nacionais quanto estrangeiros.
Podemos citar a fala de um historiador muito conhecido e respeitado na cidade de Pirenópolis, Jarbas Jayme, (1970), que buscava construir a trajetória histórica da cidade, ele escreveu: "A Cavalhada simboliza a luta histórica entre Carlos Magno Imperador do Ocidente, coroado em 800, pelo Papa Leão III e os Mouros que invadiram a Península Ibérica e pretendiam impor, a ferro e a fogo a doutrina de Maomé (Islamismo)".
PEREIRA (1984), também escreveu:
A Cavalhada constitui representação de lutas de Cristãos, chefiados por Carlos Magno e com os Doze Pares de França e os Mouros chefiados pelo Sultão da Mauritânia.
A Cavalhada é teatro folclórico, integra as manifestações que se traduzem em representação, espetáculo ou cortejo, com personagens determinadas, vestes características e a finalidade, direta ou indireta, de se exibir a uma assistência, uma forma de teatro eqüestre, na qual o cavalo ocupa posição de destaque.
A época de maior incidência do folguedo é no período da festa do Divino Espírito Santo, mas participam também de festas de santos padroeiros, das comemorações de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, São João, São Sebastião, Santo Amaro e Outros.
Simultaneamente à Cavalhada, aparecem frequentemente os mascarados, que não integram seu contexto, mas cumpre a função de bobos da corte, isto é divertem o povo com sátiras e pantomimas. Vieram da Espanha junto com os desfiles, torneios e simulação de lutas.
A Cavalhada deriva da concepção de vida e das idéias das Cruzadas, tanto nos torneios e jogos - pratica dos cavaleiros com fins de aprimoramento militar, como na ideologia da supremacia e afirmação da cristandade frente aos inimigos personificados em mouros, turcos, infiéis. Esse ideal cavalheiresco de honra, nobreza e guerra santa, encontrou na Espanha campo apropriado ao seu desenvolvimento, devido ao contato direto e constante com o invasor muçulmano, por oito séculos.
Em Pirenópolis, anualmente é publicado, na ocasião da Festa do Divino Espírito Santo, em forma de impresso, um folheto com informações a cerca do nome de todos os Imperadores do Divino Espírito Santo, que participaram da festa desde 1819, e o histórico das Cavalhadas de Pirenópolis, como se segue:
A Cavalhada foi encenada em Pirenópolis pela primeira vez em l826, por iniciativa do Padre Manuel Amâncio da Luz, quando imperador da Festa do Divino Espírito Santo.
Os padres jesuítas em sua alta sabedoria compreenderam que as festas profanas, realizadas por ocasião das religiosas, principalmente ao ensejo da festa do Divino Espírito Santo, trar-lhe-iam mais facilidades na espinhosa tarefa de catequese do gentio e do elemento afro.
A Cavalhada é uma representação teatral encenadas por cavaleiros que remontam a batalha entre Mouros (vermelho) e Cristãos (azul) introduzida pela rainha Santa Isabel, em Portugal.
A Cavalhada começa no domingo de Pentecoste, ao meio dia, quando o caixeiro percorre as ruas em que moram os cavaleiros fazendo o chamado para o campo, executando o toque: "Vão pro campo cavaleiro".
Sua encenação dura três dias: Domingo, Segunda e Terça-feira.A Cavalhada é realizada ao som de quadrilha de compositores antigos de Pirenópolis. Cada carreira tem sua música própria e a Banda de Música é fator de grande importância, pois marca as evoluções.
Peças executadas:
- Galope----- dos Mouros e dos Cristãos.
- Quadrilhas -----Violeta, Flor da Noite, Três Sossegados, Noiva Encantada.
- Valsa -----do Batismo.
- Galope Final-----Cavalhada Acabou.
A arena onde Carlos Magno e os Doze Pares de França vão lutar está cercada por palanques e arquibancadas, e ao som da banda de música Phenix, entram moças portando as bandeiras dos Mouros e Cristãos, acompanhadas de todas as manifestações folclóricas. Logo em seguida a área é tomada pelos mascarados, que a galope entram por todos os lados. De repente, a arena fica vazia e silenciosa. Antes da entrada de qualquer outro personagem, a um canto do campo próximo ao castelo dos Cristãos, de baixo de uma árvore, coberto com pele de onça fica o espião Mouro.
A Banda de Música executa o galope tradicional e em fila e a galope, pelo lado do nascente entram os Cavaleiros Mouros (vestidos de vermelho) e pelo lado do poente e com coreografia semelhante, despontam os cavaleiros Cristão (vestidos de azul).
A Cavalhada começa quando um Sentinela Cristão (ultimo cavalheiro da fila) representa vigiar o seu campo, quando da de olho com o espião, e montando a galope, enfrenta-o terminando por matá-lo. O Sentinela retorna a seu castelo e no momento seguinte os Cavaleiros de ambos os lados saem e dão uma volta por seus campos, efetuando a primeira carreira chamada Reconhecimento de Praça.
Os Discursos do Desafio
Embaixada dos Mouros
"O rei Mouro chama o seu Embaixador.
- Embaixador, à minha presença!
O Embaixador se apresenta e diz:
- Poderoso Senhor, aqui estou!
Ordena-lhe o Rei:
- Vai às partes do Poente, onde se encontra acampado o exército Cristão e diz ao Rei que deixe a lei de Cristo e abrace a de Mafoma: que se isto fizer terá paz, honras e, sobretudo a minha amizade. Mas se este partido não quiser abraçar, verá a terra tremer, os clarins romperem os ares, o bronze gemer o sangue correr aos mares e o meu Mafoma vencer.
Diz o Embaixador:
- Senhor! Enquanto em meu peito houver alento, Heidi, fiel cumprir o vosso régio intento.
Depois de certas exigências (quando dois cavaleiros Mouros e dois Cristãos parecem parlamentar junto ao flanco, até quando se dirigem para o Castelo Cristão) apresenta-se o Embaixador Mouro no acampamento do Rei Cristão e diz arrogante e irreverente:
- O monarca esclarecido, o poderoso Sultão que, qual raio ou qual trovão neste mundo é tão temido, te comete por partido, que deixes a Lei de Cristo e que abraces a de Mafoma; que se fizerdes isto, terás paz, honras e sobretudo, a sua amizade em tudo o que tens visto, mas se esse partido não quiserdes abraçar, verás, ó rei atrevido, verás a terra tremer, os clarins romperem os ares, o bronze gemer, o sangue correr aos mares e o meu Mafoma vencer.
Responde-lhe o Rei Cristão:
- Atrevidas e arrogantes foram às palavras que acabastes de pronunciar perante alta soberania e fidedignos vassalos de minha corte. Não fossem as leis do meu Império, consagradas às três pessoas da Santíssima Trindade, aplicar-vos-ia o merecido castigo. Entretanto, voltai e dizei ao vosso rei que me não assustam inimigas tropas nem as terríveis ameaças com que pretende intimidar os fiéis e destemidos soldados dos meus esquadrões, e que em campo estou e em campo espero.
Retruca o Embaixador Mouro:
-Ó rei de juízo vário, outro acordo toma, abraça a lei de Mafoma e não sejas temerário, pois se fizeres contrário, já toda a paz se desterra e eu serei, na mesma guerra, qual raio fulminante que te reduzirá num só instante em cinza ou terra!
Responde-lhe o Rei Cristão:
-Sai-te desumano, antes que, do peito fraudulento o coração te arranque.
Diz-lhe o Embaixador Mouro:
-Retiro-me por ti me aborrecer e não por te temer.
(Após este diálogo entre o Rei Cristão e o Embaixador Mouro, este último galopa em direção ao grupo dos cavaleiros Mouros e se coloca frente ao seu rei), Chega o
Embaixador Mouro em frente ao acampamento e diz:
- Monarca Rei e Senhor! Fui às partes do Poente onde me mandastes e lá encontrei o rei ricamente montado, o qual disse-me todo irado que no Campo da Morte está e no Campo da Morte vos espera, onde vereis uma fera, toda cheia de furor, que qual raio abrasador, vos fará cair por terra.
- Recolhe-te, Embaixador amado, que muito breve será vingado.
Embaixada dos Cristãos
O Rei chama o seu Embaixador e este diz:
- Senhor!
Ordena-lhe o Rei:
- Vai àquele exército dos Mouros e dize ao Rei que, por ti saúda-lo mando e a dizer-lhe envio que deixe de Mafoma, desta vil seita infame, e dos diabólicos ídolos, que tão firmemente idolatra; que se isto fizer mediante as águas do Santo Batismo pequeno tributo, ser-lhe-ei amigo. Vai e dize.
Responde o Embaixador:
- Saberei cumprir o vosso régio mandado.
Depois de pequenas exigências (as mesmas desenroladas no meio e flanco do campo, quando da embaixada dos Mouros), apresenta-se o Embaixador Cristão ao Sultão da Mauritânia e diz:
- O glorioso Monarca Carlos Magno, Senhor de todo o ocidente, manda saudar-vos e, ao mesmo tempo dizer-vos que deixeis de Mafoma, seita vil e infame, e dos diabólicos ídolos que tão firmemente idolatrais, que, se isso fizerdes, mediante as águas do Santo Batismo e um pequeno tributo, será vosso amigo.
Responde o Rei Mouro:
- Injuriosas foram as palavras com que te referiste ao grande Profeta. Vale-te, entretanto o indulto de Embaixador. Não fora isso, mandar-te-ia cortar a cabeça e colocá-la na mais alta torre do meu castelo, para servir de exemplo aos teus. Volta e dize ao teu Rei que rejeito as suas vis propostas e que desejo ter a sós, com ele, uma conferência nas lindes dos nossos domínios.
Retorna o Embaixador Cristão e diz ao Rei:
- Monarca Rei e Senhor! Fui às partes do Nascente, onde me mandastes e, lá, encontrei o Rei Mouro que, rejeitando vossas propostas, convida-vos a terdes, a sós com ele, uma conferência na fronteira de seus domínios.
Diz o Rei Cristão:
- Recolhe-te, meu fiel Embaixador, a tua vingança a mim compete.
O Arrazoado dos dois Reis
Os dois reis se dirigem ao centro do campo, um pela extrema direita e outro pela extrema esquerda. Quando se aproximam, diz o Rei Mouro:
- Um só passo não dês à frente sem que primeiro me digas quem és, que lei professas e o que buscas pelas terras da Turquia.
Retruca-lhe o Rei Cristão:
- A figura que eu represento é, por sem dúvida, a de grande monarca. Todavia as tuas perguntas te desmentem, pois não me mandastes dizer, há pouco, que desejavas ter, a sós comigo, uma conferência às margens desta baliza; Como me perguntas, agora quem sou que lei professa e o que busco pelas terras da Turquia? Não te satisfarei as exigências sem que, primeiro, me digas quem és e o que buscas pelas terras do meu domínio.
Responde o Rei Mouro:
- Eu sou o grande Sultão, senhor da Mauritânia. Senhor de meio sol e de meia lua e de todo o Mar Vermelho. Já disse quem sou. Dize tu quem és.
Responde o Rei Cristão:
- Eu sou Carlos Magno, dos heróis príncipes da Europa o mais poderoso. Professo a lei de Cristo e adoro as Três Pessoas da Santíssima Trindade. E é tu mesmo, bárbaro, a quem eu busco. Vem comigo. Receberás as águas do Santo Batismo e, mediante pequeno tributo, ser-te-ei amigo e te concederei grandes honras.
Retruca o Rei Mouro:
- Eu não quero as tuas honras e nem troco as minhas pelas tuas. Só tenho a dizer-te que o que vieste fazer neste campo, para morrer e para acabar a vida.
Fala o Rei Cristão:
- Essa tua soberbia e arrogância, essa tua insolência e fantasia não se acabam com palavras, mas com o duro fio de minha espada (e avança contra o Rei Mouro).
Fala o Rei Mouro:
- Detém-te, ó Rei Cristão. Vou te cometer um partido.
- Diz o Rei Cristão:
Diga qual é?
Responde o Rei Mouro:
- Vamos ao campo de batalha. A lei do vencedor será firme e valiosa; a do vencido, falsa, infame e mentirosa.
Fala o Rei Cristão:
- Muito me custa esclarecer-te uma verdade que tenho por certa, segundo a fé de Deus que adoro e, como conto com a vitória, toma campo, bárbaro, aperta a lança, faze por ser bom cavaleiro que, em breve, te arrependerás
Retruca o Rei Mouro:
- E tu morrerás!
(Voltam os dois Reis até junto de seus cavaleiros).
Ao chegar ao seu acampamento, dirige-se o Rei Mouro aos seus soldados:
- Fiéis e valentes companheiros. Vamos ao campo de batalha pelejar. Chegou a hora de mostrarmos o nosso valor. Mauritanos, sigam comigo que a vitória será nossa.
Terminando as embaixadas, iniciam-se as carreiras do primeiro dia:
1ª CARREIRA - Defesa de Praça - uma fila de cada lado.
2ª CARREIRA - Escaramuça Grande - uma fila de cada lado.
3ª CARREIRA- Batalhinha - dois cavaleiros de cada lado.
4ª CARREIRA- União - duas filas de cada lado.
5ª CARREIRA- Torno de Parelha - dois cavaleiros de cada lado.
6ª CARREIRA- Torno de Quatro - dois cavaleiros de cada lado.
7ª CARREIRA - Torno de Quatro Fios Fechados - duas filas
8ª CARREIRA - Dez de Maio - duas filas de cada lado.
Embaixada de Trégua
Após a carreira denominada "l0 de Maio", o Rei Mouro manda pedir tréguas ao Castelo Cristão por 24 horas, com a finalidade de recompor suas tropas e ao mesmo tempo estudar as propostas das primeiras embaixadas. Chamando o seu Embaixador diz o seguinte:
_ Vai ao acampamento Cristão. E diz ao Rei que por minha alta clemência, mando propor-lhe tréguas por 24 horas.
Diante do Rei Cristão o Embaixador Mouro começa a transmitir a mensagem de seu Rei:
- O Meu Soberano, por sua alta clemência manda porpor-te tréguas pelo espaço de 24 horas, pra ver se nesse lapso de tempo reconcilie melhor, sujeitando-se assim, às condições que...
- Basta! Interrompe o Rei Cristão - já te entendo. Volte e diz ao teu Monarca que lhe concedo as tréguas que me propõe e que, amanhã, por estas horas, ele, tu e os teus, debaixo de minhas armas, estarão mortos ou prisioneiros.
Após este diálogo saem do Largo de Cavalhada os Mouros, que antes fazem uma pequena evolução em seu campo e em seguida os Cristãos, com idênticas apresentações, terminando o primeiro dia de lutas.
Segundo Dia.
No segundo dia entram os Cristãos em primeiro lugar e depois os Mouros. Os primeiros têm acesso ao Largo da Cavalhada pelo lado direito e os últimos pelo lado esquerdo, alinhando em seus castelos. Após uma pequena pausa tem início a justa, com as seguintes carreiras:
1ª CARREIRA - GUERRILHA - duas filas de cada lado.
2ª CARREIRA - CASTELINHO - dois cavaleiros de cada lado.
3ª CARREIRA - NAPOLEÃO - duas filas de cada lado.
4ª CARREIRA - FOGO NEGADO - duas filas de cada lado.
5ª CARREIRA - BATALHÃO - uma fila de cada lado.
6ª CARREIRA - CASTELINHO DE QUATRO FIOS - duas filas de cada lado.
7ª CARREIRA - NOVATA - duas filas de cada lado.
8ª CARREIRA - ARCANCILHA DE FOGO - duas filas de cada lado.
9ª CARREIRA - ARCANCILHA DE LANÇA - um cavaleiro de cada lado.
10ª CARREIRA - PRISÃO - uma fila de cada lado.
Batismo
Após a carreira que simboliza a prisão dos Mouros pelos Cristãos, começa o diálogo entre os dois reis.
Diz o Rei Cristão:
- Bárbaro, não lhe mandei avisar que hoje, sob as minhas ordens, e por esta mesma hora, tu e os teus estariam presos ou mortos. Pela fé que professo a Santa Doutrina de Cristo e as Três Pessoas da Santíssima Trindade, diz se aceita ou não as águas do Santo Batismo.
- Sim! Aceito as águas do Santo Batismo e reconheço o seu Deus como o único e verdadeiro! - responde o Rei Mouro.
Após este diálogo os Mouros desmontam, já com os Cristãos empunhando as espadas que tiraram dos vencidos. Os Mouros se ajoelham enfileirados, sem seus capacetes, e recebem as águas do Batismo, abençoadas por suas próprias espadas que os Cristãos colocam sob os ombros de cada um.
Após o batismo os Mouros recebem suas espadas e, novamente a cavalo, fazem o engrazamento (um Cristão e um Mouro em fila) para a carreira do Ouvidor, que encerra com a saída de todos, na mesma posição pelo lado do castelo Cristão, determinando o segundo dia.
Terceiro Dia
Cristãos e Mouros entram ao Largo da Cavalhada pelo lado do Poente (por trás do Castelo Cristão). Depois de uma volta completa no campo, os grupos se dividem e vão para seus castelos. Após uma pausa é dado o sinal para a primeira carreira, denominada Florão.
Entrada dos cavaleiros - ENGRAZADO.
1ª CARREIRA - FLORÃO - uma fila para engrazar.
2ª CARREIRA - QUATRO FIOS DE LANÇA - duas filas de cada lado.
3ª CARREIRA - TIRA CABEÇA - uma cavaleiro de cada lado.
4ª CARREIRA - ARGOLINHAS - uma fila para engrazar.
5ª CARREIRA - QUATRO FIOS DE LENÇO - duas filas de cada lado.
6ª CARREIRA - DESPEDIDA - uma fila para engrazar.
Antes das competições os lutadores fazem mais uma demonstração de arrojo, através da carreira denominada Quatro Fios de Lança, para em seguida dar início aos jogos.
Competições
Depois da última carreira o Largo da Cavalhada é preparado para competições entre Mouros e Cristãos, com as seguintes provas;
Tira Cabeça
Argolinhas
Após a apresentação do jogo das Argolinhas Mouros e Cristãos perfilam em seus castelos. É feita a apresentação da carreira "Quatro Fios de Lenço" e em seguida fazem a despedida, com voltas no Campo em sistema de engrazamento.
Os cavaleiros após a demonstração e liberação para a saída do campo, desfilam pelas ruas da cidade rumo a Igreja Nosso Senhor do Bonfim, onde fazem uma salva de tiros, após as orações de agradecimento pelo bom êxito da Cavalhada.
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