Pirenópolis

Autor(a): Célia Fatima de Pina | Saiba mais sobre o(a) autor(a)
Tema: História
Subtema:
Referência geográfica do conteúdo: Pirenópolis, Brasil
Data de publicação: 08/09/2008
Línguas disponíveis: Português

RESUMO

O trabalho é sobre a história de Pirenópolis, a Festa do Divino Espirito Santo e Museu das Cavalhadas.


CONTEÚDO

Pirenópolis
Célia Fátima de Pina
1. HISTÓRIA DE PIRENÓPOLIS

Os bandeirantes começaram a desbravar o território Goiás do que hoje é o Estado de Goiás ainda no início da colonização do Brasil, à procura de índios para escravizar e catequizar e, também, de metais preciosos. Em 1680, tem início a famosa Bandeira liderada por Bartolomeu Bueno da Silva, bandeirante paulista que descobriu o ouro em terras goianas. No início do século XVIII, o filho de Bartolomeu Bueno da Silva, que também havia participado da primeira expedição, organiza uma nova e bem preparada viagem na tentativa de reencontrar o lugar em que esteve com seu pai. A partir daí tem início as "Bandeiras", expedições maiores e bem equipadas, acompanhadas por guarda militar e financiadas pela coroa Portuguesa que, por sua vez, oferecia terras e títulos àqueles que encontrassem ouro em terras brasileiras. A expedição se divide em grupos menores dando início a vários outros pequenos povoados em Goiás.
Um dos integrantes da comitiva, o lusitano Manuel Rodrigues Tomar, encontra ouro no Rio das Almas, afluente do rio Tocantins, fundando as "Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte", em l727. Este foi o primeiro nome dado a Pirenópolis. Minas devido à exploração do ouro; Nossa Senhora do Rosário por ser a santa do dia, já que a fundação do povoado ocorreu em sete de outubro. E Meia Ponte, porque a primeira ponte de acesso ao outro lado do rio teve sua metade levada por uma enchente ficando assim o povoado conhecido por Meia Ponte.
Porém, com a descoberta do ouro, portugueses e paulistas foram invadindo, ocupando e modificando o espaço, trazendo junto consigo os negros escravos (Angola e Costa da Guiné etc). A população foi constituída inicialmente, em sua maioria por brancos lusitanos, pessoas essas que deram origem ás principais famílias tradicionais de Pirenópolis, tais como: Pina, Pereira, Curado, Jayme, Siqueira, Mendonça, Aquino, Fleury, Oliveira, Amâncio da Luz, Veiga Valle, Lopes, Rodrigues Frota etc. De acordo com Jayme (1973), citaremos as origens portuguesas de algumas famílias tradicionais residentes em Pirenópolis:
SILVA LEME - família de que procedem pessoas ilustres, descendentes de Petronilha do Amor Divino, teve princípios em Inácio da Silva Leme, natural da ilha de Faial, arquipélago dos Açores, filho de Antônio Vaz e de Dionísia da Silva Leme.

RODRIGUES FROTA - procedem do sargento-mor Antônio Rodrigues Frota, natural da Freguesia de São Miguel, do patriarcado de Lisboa.

OLIVEIRA - teve princípio essa família no alferes Luiz Antônio de Oliveira, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Vitória, bispado do Porto.

CURADO - procede essa ilustre e tradicional família do tenente José Gomes Curado, natural do lugar denominado Quintão, termo da Vila Certão, priorado do Crato, bispado de Coimbra.

MENDONÇA - a numerosa e ilustre família Mendonça, de Pirenópolis, teve princípio no tenente João Bonifácio de Mendonça e Gouveia, natural de Mogimirim, Estado de São Paulo. Este era filho do capitão-mor José Gomes de Gouveia, de São Paulo-SP, e de Maria Barbosa da Silva, de Taubaté-SP, e neto de José Gomes de Gouveia, de Algarve, capital da cidade de Faro, reino da época do domínio muçulmano ao Sul de Portugal.
LOPES - a família Lopes, de Pirenópolis, teve princípio em Margarida Gonçalves do amor Divino com o padre Simeão Estilista Lopes Zedes natural de Santa Luzia, hoje Luziania-Goiás.

FLEURI - a família Fleuri teve princípio com Luiz Coelho Furtado, batizado na freguesia de São Vicente de Irivo, no Conselho de Penafiel, Bispado de Porto.

MOREIRA DE MELO - descendem de José Antônio de Melo, natural da freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, província do Concelho de Santa Cruz, da ilha Graciosa, arquipélago dos Açores, do bispado de Angra, filho de Braz Correia de Melo e de Maria Neta Covilham. Manuel Moreira de Melo, bisneto de José Antônio de Melo, foi o 75o imperador da Festa do Divino Espírito Santo no ano de 1893, em Pirenópolis.

PINA - a numerosa e ilustre família Pina, que tem sabido, com dignidade, elevar bem alto o nome de terra meiapontense, teve princípio no sargento-mor Fidêncio Graciano de Pina, nascido na freguesia de Irajá, da cidade do Rio de Janeiro, em 1769, filho do padre Braz Luiz de Pina. Braz Luiz de Pina era filho de Braz Luiz de Pina, natural da freguesia de Nossa Senhora dos Anjos, patriarcado de Lisboa.

PEREIRA - descendente da família Silva Moreira teve princípio do alferes Roque da Silva Moreira, natural de Jacareí estado de São Paulo, filho do capitão Antônio Moreira e de Maria da Silva Aguiar. Era quarto neto de Garcia Rodrigues e sua mulher Isabel Velho, natural de Porto. Desta família descende João Pereira, n. a 19-6-1909, casou, a 14-9-1929, com Silva Leite, filha de Alonso Leite e de Amália de Aquino Alves, e deixou: (quarto neto 79) Maria Eunice Pereira e Pina, n. a 16-6-1930 casou com Sebastião Pompeu de Pina, filho de João Luiz Pompeu de Pina e de Maria da Conceição Lopes, c. s.
Um dos mineradores mais ricos do século XVIII foi o Sargento-mor Antônio Rodrigues Frota, natural da freguesia de São Miguel, do patriarcado de Lisboa. Segundo a história, sua riqueza era tão grande que era mais fácil o Rio das Almas correr para cima do que sua riqueza acabar. A história também relata que, para que ninguém ficasse sabendo de suas minas de ouro, este mineiro tinha o costume de cortar a língua e furar os olhos dos escravos que nelas trabalhavam. No entanto, sua morte súbita não lhe permitiu revelar o local da exploração à sua própria família, terminando seus descendentes na miséria.
Por mais ou menos cem anos Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte viveu basicamente da exploração do ouro, época em que prosperou bastante. Em l800, Meia Ponte tem como atividade econômica a agricultura de subsistência, que foi introduzida ainda na época do ouro e mantida expressiva até l930 pelo Comendador Joaquim Alves de Oliveira através do Engenho de São Joaquim onde produzia-se açúcar e algodão e cuja produção era exportada para outros estados do Brasil. O Comendador Joaquim Alves de Oliveira, dono do Engenho de São Joaquim, atualmente fazenda Babilônia, recebeu em sua residência vários viajantes e cientistas ilustres que visitaram o interior do Brasil, dentre eles destacamos Saint-Hilaire, Pohl, Castelnau e D'Alincourt, Cunha Matos, que era Governador de Armas da Província de Goiás. Foi ele também o fundador do primeiro jornal goiano, o "Matutina Meiapontense", cuja tipografia (Tipografia D'Oliveira) era de sua propriedade. Após a morte do Comendador Joaquim Alves de Oliveira, a cidade pouco a pouco vai perdendo expressão econômica.
Além da agricultura, o local contava com o comércio dos tropeiros, "elo" de ligação entre o litoral (Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo) e o sertão (Mato Grosso, Goiás) que ali no local se abasteciam. Os tropeiros eram praticamente obrigados a passar por Pirenópolis, devido à posição privilegiada da cidade que ficava próxima às poucas estradas existentes de acesso a Goiás na época.
Em l853, foi elevada a categoria de cidade, cujo nome era Cidade Meia Ponte, mas foi somente em l890 que esta passou a se chamar Pirenópolis. A mudança de seu nome para Pirenópolis refere-se ao fato desta cidade estar situada aos pés dos Pireneus, cordilheira essa considerada a mais expressiva do Estado de Goiás. A serra dos Pireneus foi assim nomeada por causa dos Pireneus da Europa . Já a substituição do nome de Meia Ponte por Pirenópolis foi feita pelo padre Antônio Justino Machado Taveira em 1873, sendo que o destino não lhe permitiu ver realizada sua iniciativa que se concretizou apenas em 1890. Nessa época a velha e lendária Pirenópolis foi apelidada por algum tempo de "Princesa dos Pireneus".
Em l893, a "Comissão Cruls" (Comissão Exploradora do Planalto Central, sob a chefia de Luiz Cruls) esteve em Pirenópolis para demarcação dos limites do Distrito Federal, que era cinco vezes maior que a área atual, e também mediu corretamente a altura dos Picos dos Pireneus, com l385 metros.
Hoje a principal atividade econômica de Pirenópolis é a extração de pedras (quartzito) para piso, a nacionalmente famosa "pedra de Pirenópolis". Pirenópolis é também um município turístico, devido à beleza da cidade, rica em prédios históricos, tradições, paisagem natural, manifestações culturais, destacando-se as festas religiosas (Festa do Divino Espírito Santo e as Cavalhadas). Com tudo isso, o turismo dos tipos: ecológico, histórico, esportivo e de eventos, já representa a terceira atividade econômica de maior importância para a cidade, que possui boa infra-estrutura, como hotéis, restaurantes, serviços para atender a demanda turística.

2. PONTOS TURÍSTICOS

2.1 Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário
Construída entre l728 e l732, com recursos da própria comunidade, é o mais antigo monumento sacro do Estado de Goiás. De estilo colonial (arquitetura barroca simples), a igreja tem os alicerces de cantaria (pedra) e as paredes feitas de taipa de pilão (barro socado). Apenas a paredes mais altas das torres são feitas de adobe (tijolo cozido ao sol). A igreja foi construída de forma que, a qualquer hora do dia, o sol ilumine a sua fachada. No seu altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade, vinda de Portugal em l728.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário foi reformada pela primeira vez na década de 80. A segunda reforma se deu em 1998. Após dois anos, em 05 de setembro de 2002 ocorreu um incêndio que começou na sacristia. Este incêndio, para muitos, foi criminoso, e destruiu grande parte da igreja. Praticamente, restou apenas a fachada e algumas partes das paredes laterais. Este trágico acontecimento causou muita angústia e revolta na comunidade pirenopolina, que perdeu uma parte importante de sua história. Em relato ao jornal Jornal O Pireneus - A voz de Pirenópolis. Ano 3 - no 16. Pirenópolis, 1o a 15 de maio de 2006 p. 4. Matéria sobre a igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. Título: "Por fora mais parece uma maquete", Silvia Conceição de Pina, moradora da cidade dá seu depoimento em decorrência de uma matéria publicada sobre a Igreja Matriz, em edição anterior, com uma foto alertando "Cuidado, as velas incendeiam":
(...) "Outra reforma se deu mais ou menos em 1980 sem nenhum prejuízo para o monumento que continuou ostentando toda sua imponência arquitetônica e sua parte artística ricamente harmoniosa continuou intacta com iluminação e ventilação natural. Até então por uns 200 anos, todas as igrejas e casarios eram iluminados por candeeiros, velas e lamparinas. (Lembro-me que minhas tias diziam que produziam velas para o consumo). E a Igreja teve bons tempos com suas instalações elétricas precárias, como ainda vemos em certas casas".
(...) "A última restauração de 1998 que foi feita por uma empresa, foi o caos, onde ocorreu a grande tragédia, a catástrofe apocalíptica. Nós pireopolinos perdemos nosso maior patrimônio espiritual, e o laudo continua uma incógnita. Sem termos o respeito e o direito de sabermos o que causou o incêndio. Segundo o Jornal Folha de São Paulo, com esta reforma a Igreja virou uma bomba relógio, uma estufa toda coberta com forro asfáltico extremamente inflamável".
"E para nossa surpresa e indignação vem a mesma empresa, a mesma pessoa, o mesmo esquema, para novamente reconstruir a Igreja."
"Não me dei a honra de adentrar no seu interior. Mas por fora, lembra mais uma maquete. Falando nisso "cadê" as pedras seculares do calçamento que rodeava toda a igreja?"
"É com uma dor que vem do âmago que vejo nossa igreja sendo usada cinematograficamente pela mídia para ser reinaugurada (sua reconstrução foi em tempo recorde: em apenas dois anos) até o dia 30 de março passado para favorecer alguns políticos despudorados que querem imperar usando pela segunda vez sua reinaguração antes das eleições. Onde está a participação do governo federal?".
"E sem escrúpulo, em plena quaresma tempo que todos os católicos se resguardam em reflexões, toda a cidade se mantém em silêncio, vem este mesmo político com todo o seu poderio, vem fazer a maior festança, com repicar de sinos, foguetórios, banda de música, churrasco e bebedeiras, que acontecia normalmente depois do sábado da ressurreição, sábado da aleluia".
(...) "... o que era opulência, esplendor e essência de um povo há quase trezentos anos, virou cinzas".
"O perigo ...não são "as velas que incendeiam" e sim a ganância, os oportunistas, a soberba e despudor de homens sem brio e da imoralidade dos poderosos impunes. O que incendeia é o poder do vácuo. O poder da causa e do efeito".
Assim como Silvia Pina, muitos pirenopolinos manifestaram sua insatisfação e desagrado quanto à questão do incêndio da Igreja Nossa Senhora do Rosário, principalmente quanto à destinação da mesma, pois hoje está sendo utilizada apenas na ocasião da festa do Divino Espírito Santo e casamentos pomposos. Na maior parte do tempo a igreja funciona como museu, com exposições compostas por replicas. Hoje a realização das missas ocorre no salão paroquial.

2.2 Igreja de Nosso Senhor do Bonfim
Construída no período de l750 a l754, pelo Sargento-Mor Antônio José de Campos, é a segunda igreja construída em Pirenópolis, sendo edificada no ponto mais alto da cidade. A imagem de Nosso Senhor do Bonfim (em tamanho natural) foi trazida de Salvador, Estado da Bahia, em l755, por 260 escravos a pé.

2.3 Igreja Nossa Senhora do Carmo (Museu de Arte Sacra).
Construída como capela particular em l750, pelo rico minerador Luciano Nunes Teixeira, com a colaboração de seu genro Sargento-Mor Antônio Rodrigues Frota. A igreja está localizada à margem direita do Rio das Almas. É a terceira a ser construída na cidade, em estilo colonial.

2.4 Teatro Sebastião Pompeu de Pina.
Foi construído em l899 por Sebastião Pompeu de Pina. Seu estilo é considerado neo-clássico .

2.5 Cine Teatro Pireneus
Foi construído em l9l9 pelo Padre Santiago Uchôa (Espanhol) em estilo Art-Déco.

2.6 Casa de Câmara e Cadeia

Foi construída pelo Intendente Cristóvão José de Oliveira em l9l9, em estilo colonial. Atualmente o local é destinado a realização de eventos culturais.
2.7 Museu das Cavalhadas
O museu das Cavalhadas é uma iniciativa particular de Maria Eunice Pereira e Pina, para preservação, pesquisa e divulgação da imagem de uma das festas mais tradicionais de Pirenópolis: "A Festa do Divino Espírito Santo". O museu tem um rico acervo em artesanato, indumentárias de cavaleiros e cavaleirinhos, documentos, livros, cartazes, folders, fotografias etc. Veja mais informações no item 6.

2.8 Museu da Família Pompeu
Casarão do século XVIII, construído pelo Comendador Joaquim Alves de Oliveira. Em l830, funcionou como sede do primeiro jornal de Goiás, o "Matutina Meiapontense". Hoje é museu particular, onde está exposta boa parte da história de Pirenópolis.

2.9 Ponte sobre o rio das Almas
Construída no governo de Sebastião Pompeu de Pina, em l903. Sua base é de pedra. O Rio das Almas ganhou este nome devido à promessa feita que, caso se achasse ouro em abundância neste rio, a primeira missa da cidade seria rezada em intenção das almas do purgatório.

2.10 Fazenda Babilônia (Engenho de São Joaquim, 1800)
Antiga propriedade agrícola do Comendador Joaquim Alves de Oliveira, era um dos maiores engenhos de açúcar do Brasil. O título de Babilônia foi dado em função da grandeza, tanto em área territorial quanto em produção de açúcar, algodão, pinga, fumo e rapadura.

3. FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO
A Festa do Divino Espírito Santo é uma das várias manifestações da religiosidade Católica popularizada em diversas regiões do ocidente europeu a partir da Idade Média. Essa festividade é celebrada cinqüenta dias depois da Páscoa, em comemoração à descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.
A Festa foi introduzida pela Rainha de Portugal, Santa Isabel de Aragão e seu esposo, o Rei Dom Diniz, resgatando a espiritualidade dos padres franciscanos do século XIII. Incluía desde seu início a assistência a Santa Missa, Cortejo Processional e Coroação do "Imperador".
Foi durante os séculos XIV e XV e a primeira metade do século seguinte que o culto do Espírito Santo, ligado à festa do império, tomou maior desenvolvimento em Portugal e se espalhou pela África Portuguesa, pela Índia e pelos Arquipélagos da Madeira e dos Açores, de onde passou ao Brasil, em grande parte por obra dos açorianos.
O auge do culto do Espírito Santo coincidiu, em Portugal, com o período mais intenso da expansão portuguesa no planeta. Esta festa celebrada em nossa comunidade há tantos anos foi trazida ao Brasil no século XVIII pelos portugueses açorianos com algumas pequenas adaptações, devidas às particularidades de cada local. Na essência, isto é, na fé e na caridade, a Festa do Divino Espírito Santo se mantém inalterada.
Em Pirenópolis, a festa foi trazida pelos jesuítas para conseguir atrair negros e índios para seu credo no decorrer dos anos. O primeiro Imperador foi o Coronel Joaquim da Costa Teixeira, em 1819. Com duração de doze dias, a festa tem seu ápice no domingo do Divino Espírito Santo, sendo que há uma mescla de festejos religiosos e profanos durante sua programação, uma vez que é constituída por missas, procissões, novenas, alvorada com banda de couro, a banda de música Phoenix e repiques de sinos, folias na roça e na cidade, levantamento de mastro, roqueiras, queima de fogos, reinados, juizados, mascarados, pastorinhas, apresentação de grupos folclóricos e as tradicionais cavalhadas e cavalhadinhas.

3.1 PRINCIPAIS ATRAÇÕES DA FESTA DO DIVINO
3.1.1 A solenidade do Imperador do Divino Espírito Santo
A escolha do Imperador é feita por sorteio no Domingo de Pentecostes. Todos os Pirenopolinos que se julgam em condições de realizar a festa podem se inscrever. A presença do Imperador, figura central da festa, bem como sua corte, representam o Rei e a Corte Lisbonense, com toda sua pompa. A solenidade consta de uma procissão que busca o Imperador, cujo mandato está vencendo, e vai para a igreja onde é realizada uma missa ou uma simples cerimônia. Ali o padre retira a coroa da cabeça do Imperador, cujo mandato venceu, e coloca-a sobre a cabeça do novo Imperador.

3.1.2 Procissão do Divino Espirito Santo
Realizada no momento de levar o Imperador à igreja, possui as seguintes características: as virgens (crianças vestidas de branco) vão à frente do quadro que leva o Imperador, logo após vem a banda de música acompanha pela multidão, sempre em atitude de respeito e fé. Após a missa, já realizado o novo sorteio do Imperador que irá realizar a festa do ano seguinte, o Imperador do ano retorna á sua residência acompanhado do mesmo cortejo. Chegando, distribui "Verônicas" (alfenins) que traz cunhada a pomba do "Divino" e "Pãezinhos" do Divino a todas as virgens .

3.1.3 O Hino do Divino Espirito Santo
Composto por Antônio da Costa Nascimento em l899 (Tonico do Padre) para ser tocado pela banda e ser cantado durante as coroações, é o mais reverenciado de todos os hinos, sendo sempre escutado com grande emoção e respeito.

3.1.4 Roqueira e queima de Fogos
A roqueira é uma salva de tiros de origem portuguesa, imitação do canhão roca, e tem o objetivo de saudar o Imperador e expressar alegria. A queima de fogos realizada no sábado do Divino, à noite, próximo à ponte do Rio das Almas, é um espetáculo de rara beleza.

3.1.5 Missas e novenas
São cantadas em latim pelo coral Nossa Senhora do Rosário (l50 anos).

3.1.6 Folia da cidade.
Na cidade é realizada a Folia Urbana, quando os foliões visitam as casas levando as bandeiras e as bênçãos do Divino, com cantorias e catiras.

3.1.7 Folia rural

Quinze dias antes do Domingo do Divino, centenas de cavaleiros comandados por um chefe, o Alferes, saem uniformizados em procissão, pela zona rural fazendo pousos nas fazendas, levando as bandeiras e as bênçãos do Divino Espírito Santo e angariando fundos para os festejos.

3.1.8 Alvorada com a Banda de Música Phoenix
Antes do nascer do sol ou quando surgem os seus primeiros raios, a Banda de Música Phoenix sai tocando pelas ruas da cidade, em um passeio a pé, acompanhada pelo povo. Seu repertório é composto de valsas, polkas, mazurkas, dobrados, marchas e o Hino do Divino.

3.1.9 Banda de Couro
Era a orquestra dos negros para louvar Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e São Benedito. É apresentada desde l8l4, e formada por meninos. Após as novenas e pela manhã ela sai pelas ruas acompanhada por populares, tocando "Mariquita Muchacha" e "Vem cá Bitu".

3.1.10 Pastorinhas
Peça teatral, revista toda em bailado. Seu enredo narra o nascimento de Jesus. Veio da região Nordeste do Brasil, trazida por Alonso Telegrafista e levado ao palco em l922, quando foi Imperador. O maestro pirenopolino Propício de Pina, adaptou e acrescentou à peça as três figuras Fé, Esperança e Caridade, em l923.

3.1.11 Dança do Congo
Representa a catequese, exaltando o cristianismo e os santos da igreja em meio a elementos da cultura africana na música, na dança e nos adereços. Os personagens do congo são masculinos. Há três figuras principais: o Rei, o Secretário e o Embaixador. Os cantos louvam São Benedito e Nossa Senhora do Rosário
3.1.12 Contra Dança
Introduzida em Pirenópolis no século passado, consiste numa série de bailados, recebendo cada qual um nome: Marcha de Rua, Engenho Novo, Costura, Vilão e outros; executando a dança dos arcos, fitas, lenços etc.

3.1.13 Dança do Tapuio
Vinda de Jaraguá (Goiás), vem sendo apresentada em Pirenópolis desde l935. Composta de doze pessoas, formando duas alas, sendo seis em cada uma. Sempre homens que se vestem de saia por cima da calça. Sua música é a catira e a marcha.

3.1.14 Tocador de Caixa
Todos os dias, durante o período de ensaio das Cavalhadas, antes de raiar do sol, sai o Tocador de Caixa pelas ruas dando o toque chamando os cavaleiros para os ensaios: "Vão pro campo cavaleiros... Vão pro campo cavaleiros..."

3.1.15 Mordomos
São os encarregados de executar várias tarefas. Um é encarregado da bandeira, outro do mastro, outro da fogueira, outro das velas e recebem os respectivos nomes: Mordomo do Mastro, Mordomo da Bandeira etc.

3.1.16 Dramas (teatro)
É costume secular a apresentação de dramas por ocasião da Festa do Divino. Notícias mais detalhadas se tem a partir de l837, quando foi encenado "Demofonte". Era Imperador o Senhor José Inácio do Nascimento. Inúmeros foram os dramas já apresentados: Amor e Infâmia, Artaxerxes, Dom César de Bazan, Aspásia, Alecrim e Manjerona, Poder do Ouro, Graça de Deus, Morgadinha, Estátua de Carne e tantos outros.

3.1.17 Reinado e Juizado
Reinado é um ritual conservado de antigos cortejos processionais de festejos, com que os negros escravos do período colonial cultuavam os seus santos padroeiros. O Reinado se limita ao triângulo de rituais, cortejo, missa, distribuição de alimentos e sempre acompanhado pela zabumba e, em alguns casos, pela banda de música.
Atualmente, os Reinados e Juizados são considerados a festa dos pretos, ou outra festa dentro da Festa do Divino. Possivelmente, aconteciam separados dos festejos do Divino, dividindo-se entre uma comemoração a São Benedito, talvez em abril e outra a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, junto com os festejos da Padroeira da cidade, em outubro. Não há diferenças rituais entre o Reinado e o Juizado, a não ser pela mudança e posição dos lugares dos personagens, no cortejo e na missa.
Na segunda-feira é o Reinado de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e na terça-feira é o Juizado de São Benedito, cujo acontecimento se encontra semi-incorporado ao final da festa do Divino Espírito Santo. O Reinado de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos é composto pelos seguintes personagens: Rei, Rainha, Juiz e Juíza da Vara de Prata; Juiz e Juíza do Ramalhete; Juiz e Juíza do Manto; Mordomo do Mastro, Mordomo da Bandeira, Mordomo da fogueira; Juizado de São Benedito, Juiz e Juíza do Cordão, Primeiro Juiz e Juíza das Flores, Segundo Juiz e Juíza das Flores, Terceiro Juiz e Juíza das Flores; Mordomo do Mastro, Mordomo da Bandeira, Mordomo da Fogueira e, finalmente, o Andador e o Cargo da Mesa Diretora da Irmandade, o primeiro a iniciar o cortejo e o último a deixá-lo, após entregá-lo ao último juiz do dia.

3.1.18 Mascarados
Usando roupas extravagantes e máscaras com cara de animais, mais comumente boi e onça, montado a cavalo ou mesmo a pé, os mascarados saem fazendo algazarras pelas ruas da cidade. Aparecem, primeiro, no sábado do Divino, ao meio dia, quando a retreta está a tocar na lateral da igreja Nossa Senhora do Rosário.
Predominando as vestimentas de cores berrantes, os participantes têm tendo na cabeça uma máscara, e seu cavalo enfeitado com fita e flores, com um peitoral de guizos e polaques. Nas Cavalhadas, no intervalo, fazem a festa com acrobacia, alegria e cores. Alguns mascarados ficam em pé sobre o cavalo durante a execução do Hino do Divino. Com origem até hoje desconhecida, não se sabe quando eles apareceram por ocasião da Festa do Divino. Os mascarados chamados "Curucucus" são, nos dias de hoje, o símbolo da liberdade e a beleza do folclore Pirenopolino. A máscara de boi é típica de Pirenópolis.


3.1.19 Cavalhadas
A Cavalhada simboliza a luta histórica havida entre Carlos Magno, Imperador do Ocidente, coroado em 800, pelo Papa Leão III e os mouros que invadiram a Península Ibérica.
Carlos Magno foi Imperador em França, cuja coroa herdou de seu pai. Era guerreiro e justiceiro, tinha bom coração e lutou contra os pagãos, juntamente com os Doze Pares de França.
A Cavalhada constitui representação de lutas de Cristãos, chefiados por Carlos Magno e Mouros chefiados pelo Sultão da Mauritânia. A história de Carlos Magno se converteu em verdadeira bíblia dos povos cristãos. Em Portugal, no fim do século XIX, era o livro mais lido pelo povo.
Nas festas dos Açores, encontram-se Cavalhadas e Touradas, especialmente na ilha de São Miguel. Ainda dos Açores há registro de Cavalhadas de São Pedro, na ilha de São Miguel, na Antologia da Terra Portuguesa, seleção de A. Cortes Rodrigues. São Pedro é o Padroeiro de Ribeira Seca, subúrbio da Vila da Ribeira Grande, norte da ilha. Cinco dias antes de 24 de junho, ao amanhecer, um grupo de homens, a pé e tocando instrumentos, percorre as ruas para avisar aqueles que irão constituir a Cavalhadas.
Durante a colonização, as únicas diversões eram as Mouriscas e as Cavalhadas. Também da Ilha de São Jorge (Festas do Divino Espírito Santo) nas folias, compostas de três cantores, uma bandeira e um tambor, os foliões cantavam suas músicas nos intervalos dos pratos e dos brindes. No final da refeição entoavam entre outros, os seguintes versos:

"Deus vô-lo pague senhores
A mercê mai-lo favor
O Senhor Espírito Santo
Há de sê-lo pagador."

No agradecimento da Mesa encontra-se uma variante da estrofe da folia da Ilha de São Jorge. Este canto foi trazido da Folia do Divino para as reuniões dos Cavaleiros. Percebe-se que há ligação com os costumes dos jantares dos Cavaleiros de Pirenópolis, durante os ensaios, especialmente quanto aos versos cantados no final da refeição, conforme citado por Pereira,(1984:154-157:
Lá se vai, oi lá se vai
Esse mastro de alegria

O Divino Espr`ito Santo
Há de sê a nossa guia

Bendito louvado seja
As três palavras de Deus

Ai, Padre, Filho, Espr´ito Santo
Seja pelo amor de Deus
Deus vos pague essa farofa
Que prá nois foi uma defesa

Ai, o Divino Espr´to Santo
Que abençoa vossa mesa.

Deus vos pague eu agradeço
A farofa que nós comeu

Ai, todo mundo agradecesse
Como nós agradeceu.

Deus vos pague essa farofa
Que prá nóis foi um alimento

Ai, o Divino Espr´to Santo
Que vos dá o compensamento.

Deus vos pague eu agradeço
Agradeço de coração

Ai, o Divino Espr´to Santo
Que abençoa seu Nenzão.

Ofereço esse bendito
Pro Senhor que está na cruz

A intenção das cinco chagas
Para sempre amém, Jesus.

_Viva o Divino Espr´to Santo
_ Viva!
_ Viva a boa união!
_ Viva!
_ Viva a farofa!
_ Viva!
_ Viva seu Nenzão!
_ Viva!
_ Viva a patroa dele!
_ Viva!
_ Viva o Possidônio!
_ Viva!
_ O segundo viva!
_ Viva!
Após os vivas, voltam ao começo:
Deus lhe pague a boa janta
Que pra nóis foi uma defesa

Ai, o Divino Espr´to Santo
Que abençoa vossa mesa.

Deus vos pague a boa janta
Que prá nóis foi um alimento

Ai, o Divino Espr´to Santo
Que vos dá o compensamento.
Entoam ainda o pedido de gole:
A rolinha foi
Mandou dize
Um golim de pinga
P'ra nós bebê

A rolinha foi
Mandou fala
Um golim de pinga p'ra nós toma.


Pode-se dizer que esta cavalhada é de aculturação Espanhola, nos espetáculos; Portuguesa, principalmente Açoriana, em detalhes dos ensaios. A Cavalhada foi encenada em Pirenópolis pela primeira vez em l826, por iniciativa do Padre Manuel Amâncio da Luz, quando imperador da Festa do Divino Espírito Santo. É uma representação teatral encenada por Cavaleiros que remontam a batalha entre Mouros (vermelho) e Cristãos (azul) introduzida pela Rainha Santa Isabel, em Portugal. A Cavalhada começa no Domingo de Pentecostes, ao meio dia, quando o caixeiro percorre as ruas em que moram os Cavaleiros fazendo o chamado para o campo, executando o toque: "Vão pro campo Cavaleiro!". Sua encenação dura três dias: Domingo, Segunda e Terça-feira, (Anexo 1 - embaixadas e a conferência dos dois reis).

a) Primeiro dia - Domingo

A Cavalhada começa quando um Sentinela Cristão representa vigiar o seu campo, quando dá de olho com o espião, e montando a galope, enfrenta-o terminando por matá-lo. O Sentinela retorna a seu Castelo e no momento seguinte os Cavaleiros de ambos os lados saem e dão uma volta por seus campos, efetuando a primeira carreira chamada Reconhecimento de Praça. Terminando as embaixadas, inicia-se as carreiras do primeiro dia:

Primeira Carreira Defesa de praça
Segunda Carreira Escaramuça grande
Terceira Carreira Batalhinha
Quarta Carreira União
Quinta Carreira Torno de parelha
Sexta Carreira Torno de quatro
Sétima Carreira Torno de quatro fios fechados
Oitava Carreira Dez de Maio.

Na carreira denominada "10 de Maio", o Rei Mouro manda pedir tréguas ao Castelo Cristão por 24 horas, com a finalidade de recompor suas tropas e ao mesmo tempo estudar as propostas das primeiras embaixadas. Após este diálogo saem do Largo da Cavalhada os Mouros que antes fazem uma pequena evolução em seu campo e em seguida os Cristãos, com idêntica apresentação, terminando o primeiro dia de lutas.

b) Segundo dia - Segunda-Feira
Batismo
No segundo dia entram os cristãos em primeiro lugar e depois os mouros, após uma pequena pausa tem início as seguintes carreiras:
Primeira carreira - Guerrilha
Segunda carreira - Castelinho
Terceira carreira - Napoleão
Quarta carreira - Fogo negado
Quinta carreira - Batalhão
Sexta carreira - Castelinho de quatro fios
Sétima carreira - Novata
Oitava carreira - Arcancilha de fogo
Nona carreira - Arcancilha de lança
Décima carreira - Prisão
Após a carreira que simboliza a prisão dos mouros pelos os cristãos, começa o diálogo entre os dois reis. Em seguida a este diálogo, os mouros desmontam, já com os cristãos empunhando as espadas que tiraram dos vencidos. Os mouros se ajoelham enfileirados, sem seus capacetes, e recebem as águas do batismo, abençoadas por suas próprias espadas que os cristãos colocam sobre os ombros de cada um. Posteriormente, ao batismo, os mouros recebem suas espadas e, novamente a cavalo, fazem o engrazamento (o cristão e o mouro em fila) para a carreira do ouvidor, que encerra com a saída de todos, na mesma posição pelo lado do castelo cristão, terminando o segundo dia.
b) Terceiro dia - terça-feira
Competições
Cristãos e Mouros no campo das cavalhadas pelo lado do poente (por trás do castelo cristão). Depois de uma volta completa no campo, os grupos se dividem e vão para os seus castelos. Após uma pausa é dado o sinal para a primeira carreira denominada Florão:
Entrada dos cavalheiros - engrazadas
Primeira carreira - Florão
Segunda carreira - Quatro fios de lança
Terceira carreira - Tira cabeça
Quarta carreira - Argolinha
Quinta carreira - Quatro fios de lenço
Sexta carreira - Despedidas
Antes das competições os lutadores fazem mais uma demonstração de arrojo, através da carreira denominada Quatro Fios de Lança, para em seguida dar início aos jogos. Depois da última carreira o campo da cavalhada é preparado para competições entre Mouros e Cristãos, com as seguintes provas: Tira Cabeça e Argolinhas.
Após a apresentação do jogo das Argolinhas, Mouros e Cristãos perfilam em seus castelos. É feita a apresentação da carreira Quatro Fios de Lenço e em seguida fazem a despedida, com voltas no campo em sistema de engrazamento.
Os cavalheiros após a demonstração e liberação para a saída do campo, desfilam pelas ruas da cidade rumo a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, onde fazem uma salva de tiros, após as orações de agradecimento pelo o bom êxito das cavalhadas.
A Música
A cavalhada é realizada ao som de quadrilha de compositores antigos de Pirenópolis, destacando-se Antônio da Costa Nascimento (Tonico do Padre) e Vasco da Gama Siqueira. Cada carreira tem sua música própria e a Banda de Música Phoenix é fator de grande importância, pois marca as evoluções.
Peças executadas:
Galope - dos Mouros e Cristãos
Quadrilhas - Violeta, Flor da Noite, e Três Sossegados, Noiva Encantada.
Valsa - do batismo
Galope final - Cavalhada acabou
Grande importância na apresentação da cavalhada tem o Hino do Divino executado pela Banda de Música durante os três dias de espetáculo. É cantado por todo o público onde muitos choram, comovidos, ao ouvi-lo:
Vinde, oh! Espírito Divino
Consolador, descei lá do céus
A dar-nos riquezas do Vosso amor
Descei lá dos céus
A dar-nos riquezas do Vosso amor (Bis)

3.1.20 Cavalhadinha

A Cavalhadinha surgiu desde de tempos remotos em Pirenópolis, pois era costume dos meninos brincar de cavalhada nos quintais de suas casas. Esse hábito antigo deu origem à cavalhadinha na Vila Matutina, que surgiu em 1989 durante o feriado de Corpus Christi por iniciativa de João Luiz Pompeu de Pina, ex-cavaleiro das Cavalhadas, que começou a ensaiar as crianças de 7 a 12 anos com cavalinhos de pau. A partir daí virou tradição ensaiar a Festa Mirim da Cavalhadinha, que também deu origem a Festa do Divino Espírito Santo infantil bem semelhante a oficial, com Imperador do Divino, Reinados, procissões, fogueira, fogos, banda de música, Pastorinhas, Congos, Contradanças, Cavalhadas, mascarados etc, ocorrendo depois da cavalhada oficial. A Diretora do Museu das Cavalhadas Célia Fátima de Pina participa da entrega de buquês aos cavaleirinhos da Cavalhadinha desde de 2006. Sua mãe, Maria Eunice, começou a fabricar e entregar buquês da década 60 a 80 das Cavalhadas de adulto e de 1989 a 2004 da Cavalhadinha infantil.
Os buquês são flores fabricadas em papel crepom na cor vermelha que simbolizam os Mouros e na cor azul que simbolizam os Cristãos. Este episódio representa uma das brincadeiras que ocorre no terceiro dia da Cavalhadinha denominado "troca de buquês". As brincadeiras são: a retirada das agorlinhas, a retirada das máscaras e a troca de buquês, que representam a confraternização em os cavaleirinhos mouros e cristãos.
As Cavalhadinhas de Pirenópolis tornaram-se uma festa folclórica tão importante para a cultura brasileira que já foi objeto de pesquisa em trabalhos acadêmicos de pós-gradução stricto senso, conforme resumo abaixo:
Defesas realizadas no Mestrado Profissionalizante em Gestão do Patrimônio Cultural - Turma 2003


"Já faz parte da alma das crianças" - As Cavalhadinhas de Pirenópolis: Inventando uma Tradição

Autora: Fernanda Adamski da Silva
Orientador: Dr. Benedito Rodrigues dos Santos
Defesa: 28/06/04
Banca Examinadora: Dr. Benedito Rodrigues dos Santos (pres./UCG), Dr. Manuel Ferreira Lima Filho (membro/UCG) e Drª. Albertina Vicentini (membro/UCG)


Resumo: Esse trabalho tem como objetivo estudar as Cavalhadinhas das crianças de Pirinópolis. A sociabilidade durante as festas religiosas é um meio de manter viva as relações sociais e ainda um mecanismo de aprendizado para as crianças. No caso aqui estudado, contribui para ensinar e educar sobre a importância de preservar a tradição tão rica desta cidade, que são as cavalhadas, mantendo forte os valores da identidade e da memória, no qual faz parte do patrimônio cultural brasileiro. Observam-se três categorias da história das Cavalhadinhas, em que desde os tempos mais antigos fazia parte da vida cotidiana das crianças, de uma maneira informal; a segunda de uma forma mais estruturada, sendo organizada por João Luiz Pompeu de Pina e a terceira, quando se transforma em um evento oficial para o turismo. As Cavalhadinhas se particularizam por terem as próprias crianças a iniciativa da festa acontecer, valorizando-as e dando credibilidade por esta "tradição inventada", que mantém vivo o folclore brasileiro.

5. A PIRENÓPOLIS DE HOJE

Em Pirenópolis, a natureza e a cultura fizeram parceria com riqueza do Patrimônio Histórico, com seus monumentos e casarões seculares, o folclore, as tradições, o artesanato, a culinária, junto as cachoeiras, rios, serras e toda a riqueza da fauna e da flora faz a cidade e a região se destacarem no cenário turístico de Goiás. Pirenópolis é considerado o "Berço da Cultura Goiana".
Localizada ao pé da Serra dos Pireneus, com belos mirantes e de onde nascem inúmeros córregos que formam dezenas de belíssimas cachoeiras. Cercada de morros e cachoeiras que ainda mantém seu aspecto antigo e rústico, Pirenópolis é uma obra prima da natureza.
A pequena cidade do interior de Goiás, tombada como Patrimônio Histórico e Artístico, é um retrato vivo da história goiana, onde um povo hospitaleiro, alegre e festivo convive com um ambiente de extrema beleza natural.
"O Paraíso fica logo aqui ao lado".
Pop. 20.465


Tabela 1

População

21.220 habitantes.

População Urbana

12.458 habitantes.

População Rural

8.762 habitantes.

Área

2.l8l,8 km2

Altitude

780m


Tabela 2
Município Pirenópolis.
Estado Goiás
Latitude l5.8585
Longitude - 48.959l7
CEP 72.980-000
DDI 55
DDD 62
Localização Pirenópolis está situada na região do Planalto Central.
150 Km de Brasília.
120 Km de Goiânia
60 Km de Anápolis.
Tabela 3
Povoados Lagolândia, Caxambu,Capela, Santo Antônio, Radiolândia, Jaranápolis, Bom Jesus, Índio, Placa, Maiadô.
Clima Tropical e sub-úmido. Dois períodos distintos um chuvoso e quente(outubro a março) e outro frio e seco (abril a setembro ).
Infra-estrutura turística Hoteis e Pousadas: l06 com 2.l00 leitos.
Restaurantes 64 restaurantes, da comida típica de Goiás, ao paladar internacional.
Atrativos Naturais 22 atrativos aberto ao público oferecendo mais de 45 cachoeiras, rios e lagoas. Ao todo no município existem mais de l00 cachoeiras entre as com estruturas e as selvagens.
Esportes aventuras Arvorismo, Rappel, Baia-cross e Tirolesa.


6. MUSEU DAS CAVALHADAS

O Museu das Cavalhadas foi criado a partir da iniciativa particular da poetisa Maria Eunice Pereira e Pina (*16/06/1930 - + 24/11/2005 - in memoriam). Que começou sua coleção de: fotos, livros, cartazes, folders, documentos, jornais, revistas, indumentárias, acessórios etc., a partir de doações de amigos e filhos (Luiz Armando Pompeu de Pina e João Luiz Pompeu de Pina) que participaram das Cavalhadas.
Aberto ao público, desde 1976, recebe visitantes e pesquisadores de toda parte do Brasil e do mundo, uma média de 4.000 (quatro mil) pessoas por anos, que tem gerado pesquisas e produções culturais, tais como: documentário Divinas Marias - UnB 1993, Direção: Tânia Montoro e Armando Bulcão; monografias, dissertações e teses de doutorado tais como:
- A Estrutura Fundiária No Planlto Central - Introdução ao Estudo de uma Política Agrária em Goiás, de José Luiz de Campos Curado - Goiânia-GO, dezembro de 1989 Faculdade de Direito - Universidade Federal de Goiás (UFG);
- As Estratégias de Preservação do Núcleo Histórico Urbano de Pirenópolis, de Maria Alice Cunha Barbosa - Brasília-DF, 1992 - Universidade de Brasília (UnB);
- Frater-Unidade - Estudo de uma Experiência de "Comunidade Alternativa" no Planalto Central do Brasil, de Aico Sipriano Nogueira - São Paulo-SP, abril 1996 - Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Universidade de São Paulo (USP);
- No Império do Divino, seus Devotos o Saúdam: _Viva o Espírito Santo!, de Euda da Silva Raposo, Brasília-DF, outubro de 1997 - Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História Departamento de História - Universidade de Brasília (UnB);
- Comunidade Alternativa, de Eneri Aparecida de Pina Lopes, Anápolis-GO, 1998 - Pesquisa de campo apresentada à disciplina Psicologia Geral - Faculdade de Filosofia Bernardo Sayão;
- A Festa do Divino: Romanização, Patrimônio e Tradição em Pirenópolis (1890-1988), de Mônica Martins da Silva - Goiânia-GO, 2000, Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia - Universidade Federal de Goiás (UFG);
- Valoração Econômica do Ecoturismo - Estudo de Caso: A Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis-Goiás, de Márlon José Cerqueira; Humberto Ângelo - Brasília-DF, maio de 2003 - Centro de Excelência em Turismo - Universidade de Brasília (UnB);
- O Impacto do Turismo na Identidade Local - Um Estudo de Caso: Pirenópolis -GO., de
Rubia Cynara de Magalhães Pereira; Suzana M. Pádua - Brasília-DF, maio de 2003.
Centro de Excelência em Turismo - Universidade de Brasília (UnB).
- Festa do Divino em Pirenópolis: A Indústria Cultural, O Poder Político e os Meios de Comunicação no Universo das Culturas Populares, de Cristiane Passos Melo e Silva - Goiânia-GO, 2006 - Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia - Universidade Federal de Goiás (UFG);
- Turismo e Patrimônio Cultural em Pirenópolis: Uma Análise dos Efeitos Sobre a Vida Social, de Juliana de Pina Mendonça - Goiânia-GO, 2007 - Trabalho de conclusão de curso de graduação em Ciências Sociais apresentado ao Departamento de Ciências Sociais - Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia - Universidade Federal de Goiás (UFG).

Localizado a casa de Maria Eunice situado à Rua Direita nº 39 - Centro, rua tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico, o Museu das Cavalhadas surgiu a partir da necessidade de apresentar ao turista, que vinha à Festa do Divino em busca da religiosidade, informações sobre a expressividade e conhecimento da tradição folclórica das Cavalhadas.

Em vida, Maria Eunice passava aos visitantes as seguintes informações:

As Cavalhadas representam as lutas entre Mouros e Cristãos na Península Ibérica e são memoradas por ocasião da Festa do Divino Espírito Santo, no dia de Pentecostes, com grande galhardia. Os cavaleiros são ricamente trajados com vestes de veludo e brocados, capas bordadas com miçangas, lantejoulas e pedrarias, confeccionadas por hábeis mãos de costureiras e bordadeiras, que se esmeram para obtenção de resultados cada vez mais deslumbrantes. Os adornos dos cavalos são verdadeiras obras de arte! E o meu empenho é preservar toda essa riqueza cultural e artística.

Em alguns de seus escritos encontramos (Pina, 04/05/2002):

Sempre sonhei em obter mais algumas peças pra completar o acervo do Museu das Cavalhadas.
Foi difícil, comecei com as vestimentas e acessórios que pertenciam aos meus filhos, o rei Luiz Armando e o embaixador João Luiz.
Todos os anos na época das festas nossa casa tornava-se um ponto de referência para historiadores, estudantes e a imprensa.
Hoje sinto-me realizada e agradecida aos que têm colaborado com o museu, doando suas vestimentas e adereços usados.
O museu tem um rico acervo em documentos, vestes e fotografias, que comecei a juntar no ano de 1976.
O museu é visitado por escolas, excursões, gente do Brasil todo e do exterior.

Desde 2006 o Museu das Cavalhadas faz parte do Cadastro Nacional de Museus, que foi promovido pelo Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico, em parceria com o Ministério da Cultura da Espanha, por intermédio da Organização dos Estados Ibero-Americanos.

6.1 Breve Histórico da primeira curadora do Museu

Nascida em 16 de junho de 1930 em Pirenópolis, Goiás, Maria Eunice Pereira e Pina foi gestora histórica, escritora, poetisa, jornalista e incentivadora cultural. Plantou o primeiro pé de pequi no quintal da sua casa (fruto do cerrado da culinária típica goiana) na década de 70, época essa que não havia pesquisas para o plantio desse fruto, só para mostrar ao turista como era a árvore do pequi. Casou-se aos dezesseis anos com Sebastião Pompeu de Pina Sobrinho, dessa união nasceram seis filhos: Eduardo Pompeu de Pina, João Luiz Pompeu de Pina, Maria do Carmo de Pina Mendonça, Luiz Armando Pompeu de Pina, Silvia Conceição de Pina e Célia Fátima de Pina.
Na década de 60 até o ano de 2004, participou ativamente da fabricação e entrega de buquês aos cavaleiros das Cavalhadas e cavaleirinhos da Cavalhadinha.
Em 1993 participou do documentário "Divinas Marias", editado pela Universidade Federal de Brasília UnB, no qual retrata as "Marias" (mulheres) que contribuem com a participação de todas as manifestações folclóricas que ocorrem na Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis.
Nos anos 70, com a morte do marido, e para criar seus filhos ainda pequenos, iniciou sua primeira atividade profissional, abriu uma loja de roupas femininas com a uma amiga. Logo adiante montou a primeira loja de artesanato da cidade, que ficava em frente a Igreja Matriz, com isso participou de várias exposições levando o artesanato goiano principalmente para o sudeste brasileiro, nesta época começou a colecionar o acervo do Museu das Cavalhadas em sua casa.
Foi fundadora da primeira escola maternal da cidade denominada: Escola Maternal Pequeno Príncipe. Lançou o jornal cultural "Nova Era" que circulou durante nove anos na cidade, cuja equipe era formada pelo jornalista José Reis, Valdo Lúcio no social e Maria Eunice como diretora. Foi a primeira presidenta e fundadora da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música. Editou em 1993 seu primeiro livro de poemas chamado "Desvaneiros de uma Pirenopolina", onde descreve sua paixão por Pirenópolis.
Antes de sua morte despertou interesse em ampliar o Museu das Cavalhadas em uma entrevista filmada pela Gestora Cultural Ms. Flaviana Paula de Melo e Gestora Pedagógica Ms. Viviane Teles Ribeiro Pina, assim deu-se o início ao Programa Circuito Cavalhadas, com o Projeto Memorial Cavalhadas aprovado em seleção pública pela Petrobras Cultural em 2006/2007 e Ministério da Cultura em 2007 (PRONAC 069688), iniciado em janeiro de 2008. Este projeto trata-se da recuperação do acervo documental do Museu das Cavalhadas.

6.1.1 Projeto Memorial das Cavalhadas


Apresentação

O Programa Circuito Cavalhadas, visa promover ações como: contextualizar historicamente as Cavalhadas, disseminar o conhecimento histórico/ cultural a sociedade pirenopolina, promover a inclusão social e preservar a memória, apresenta o projeto "Memorial das Cavalhadas", com o propósito de organizar, higienizar e disponibilizar todo acervo documental e bibliográfico do Museu das Cavalhadas.
Este acervo inclui: fotos, documentos, livros, jornais, revistas, cartazes e folders que serão ordenados e disponibilizados para pesquisa.
Fundado em 1976, por Maria Eunice Pereira e Pina (in memoriam), localizado à Rua Direita nº 39 - Centro - Pirenópolis/ GO, telefone: 0XX (62) 3331-1166, o Museu das Cavalhadas surgiu a partir da necessidade de apresentar ao turista, que vinha à Festa do Divino em busca da religiosidade, informações sobre a expressividade e conhecimento da tradição folclórica das Cavalhadas. Atualmente o museu é aberto ao público sendo cobrada uma taxa simbólica de R$ 1,00 (um real), para manutenção do mesmo e tem como guia, hoje responsável pelo museu, Célia Fátima de Pina. Recebe visitas de turistas nacionais, estrangeiros, escolas e universidades, que movimentam o museu durante o ano todo, porém não se consegue atender a demanda de maneira eficiente e satisfatória em função do atual estado de apresentação em que os objetos, roupas, acessórios, fotografias, livros, revistas, jornais e documentos se encontram.
Acredita-se que somente com a disseminação do conhecimento e disponibilização do material que se encontra no acervo para pesquisa e que se poderá contextualizar a tradição histórica na sociedade para incorporar, divulgar e preservar como patrimônio cultural, contribuindo assim com a conservação e manutenção da memória e identidade.
Pretende-se diagnosticar todo material, destinado a pesquisa, que compõe o Museu das Cavalhadas para disponibiliza-lo ao público de maneira satisfatória.
De forma emergente, o projeto abarca: diagnóstico, higienização, organização, contextualização, recuperação, classificação, arranjo e publicação em catálogo dos acervos documentais e bibliográficos para salvaguarda da história e, em um segundo momento, apresentaremos outro projeto que melhore a infra-estrutura do local. Desta forma salvaremos o conteúdo para depois analisarmos a melhor forma de apresentação do mesmo. É com este objetivo que apresentamos este projeto Memorial das Cavalhadas, que além da organização do acervo documental e bibliográfico terá como produto a publicação de 5.000 (cinco mil) catálogos informativos sobre o conteúdo documental e bibliográfico do acervo, sendo que 10% (dez por cento) serão distribuído gratuitamente em universidades e centros documentais destinados a pesquisa. no Estado de Goiás, e o restante ficará, na cidade de Pirenópolis/GO, no Museu das Cavalhadas.

Objetivo Geral:

O projeto "Memorial das Cavalhadas" objetiva além de recuperação do acervo documental e bibliográfico do Museu das Cavalhadas, a publicação de catálogos como forma de atender os pesquisadores.

Objetivos Específicos:

Fazer o levantamento das coleções bibliográficas existentes que falam sobre as cavalhadas e história de Pirenópolis/GO, de maneira técnica e metodológica/biblioteconômica, que serão realizadas por profissionais com formação na área. Realizar o diagnóstico de toda a documentação que se encontra no museu, para ser classificada por profissionais que atuam na área de arquivos históricos. Higienizar e recuperar os papéis, livros e fotos que estiverem em precárias condições de manuseio de forma a acondiciona-los em suportes apropriados para melhor conservação. Digitalizar fotos e documentos para facilitar a pesquisa e manter conservação dos originais.

Justificativa

A festa do Divino Espírito Santo é uma festa cristã, móvel e que acontece 50 (cinqüenta) dias após a Páscoa, durante as comemorações de Pentecostes, sendo festa móvel, acontece, geralmente, nos meses de maio ou junho.
Em Pirenópolis - GO, a festa do Divino Espírito Santo, teve inicio em 1819, e anos depois foram acrescentadas, como seqüência da festa, outras manifestações que se tornaram tradicionais, como as Cavalhadas, que ocorreram a primeira vez em Pirenópolis em 1826, onde ocorre a batalha dos doze pares de França, doze cavaleiros que representam os Mouros (hoje nas cores vermelho e dourado) e doze cavalheiros que representam os Cristãos (hoje nas cores azul, branco e prata). Esta tradição perdura até hoje e é uma das manifestações folclóricas mais procuradas pelos turistas que vem de toda parte do mundo para conhecer a tradição da batalha inventada por Carlos Magno.
Esta manifestação, que ocorre em Pirenópolis-GO, foi apresentada no Castelo de Chantilly em França, início de 2005, e hoje o Museu das Cavalhadas é o lugar que conseguiu reunir, desde 1976, a maior parte da história das Cavalhadas, tendo este museu o reconhecimento da Câmara Municipal de Açores, Portugal. Para Goiás será o museu particular mais equipado e único da memória daqueles que fizeram e fazem parte deste espetáculo.
Com isso, manifestamos nossa preocupação de manter viva essa memória, principalmente pela quantidade de livros (aproximadamente 900), documentos (entre cartas e outros - estimativa não realizada), fotos (aproximadamente 500), revistas (aproximadamente 250), cartazes (aproximadamente 650), folders (aproximadamente 160), jornais (principalmente o jornal "Nova Era" editado pela fundadora do museu e distribuído por 10 anos - estimativa não realizada) que serão disponibilizados para pesquisa.

Estratégia de Ação

1. Fazer o diagnóstico de todo o material que será organizado;
2. Higienizar todo material que compõe o acervo documental e bibliográfico;
3. Separar o material de acordo com os fundos de pesquisa;
4. Utilização de mão-de-obra especializada para classificação do acervo bibliográfico;
5. Utilização de mão-de-obra especializada para organização do acervo documental;
6. Conservação preventiva dos documentos, livros, fotos e revistas danificadas;
7. Acondicionamento do material em suportes apropriados;
8. Digitalização das fotos;
9. Catalogação do acervo para publicação;
10. Editoração e Design do Catálogo;
11. Correção da língua portuguesa;
12. Tradução do Catálogo para língua inglesa;
13. Publicação e impressão de 5.000 (cinco mil) catálogos;
14. Distribuição de 10% em universidades e centros de documentação.

Previsão de Duração do Projeto

A duração desta ação cultural será de um ano a contar da data de início.
Título do projeto: Memorial das Cavalhadas
Nº Projeto: 069688 - Memorial das Cavalhadas - Publicado em D.O. ISSN 1677-7042 (14/05/2007)
Proponente: Associação Casa de Cora Coralina
Gestora de Patrimônio Cultural Cultural: Msa. Flaviana Paula de Melo

6.2 Breve Histórico da primeira Diretora do Museu

Nascida em 03 de janeiro de 1954 em Pirenópolis, Goiás, Célia Fátima de Pina deu continuidade ao trabalho idealizado por sua mãe, Maria Eunice Pereira e Pina.
Cursou Magistério em (1985) na Escola Estadual Comendador Cristóvão de Oliveira, foi professora da educação infantil série de alfabetização na Escola Pequeno Príncipe, foi chefe de recepção no Hotel Quinta Santa Bárbara de 1994 a 1995, auxiliar de escritório no Sindicato dos Engenheiros no Estado de Goiás de 1979 a 1982. Foi também comerciante proprietária de uma Pastelaria na Rua Direita e tesoureira na Prefeitura Municipal de Pirenópolis de 1989 a 1992, 1997 a 2000 e 2001 a 2004, e hoje é diretora do Museu das Cavalhadas.
Quando sua mãe adoeceu em 2004, Célia a acompanhou em todos os momentos, pois Maria Eunice adquiriu uma cegueira que a impedia de se locomover com facilidade. Mesmo com as limitações de Maria Eunice, ela sempre recebia os visitantes no Museu das Cavalhadas, acompanhada por sua filha Célia Pina. Após de falecimento Maria Eunice, Célia Pina deu continuidade ao trabalho de sua mãe. Sua primeira ação foi ser a proponente do Projeto Memorial das Cavalhadas. Após o projeto ter sido aprovado pela Petrobras foi necessário buscar uma parceria com alguma entidade cultural de personalidade jurídica. Assim, por intermédio da Gestora Cultural Flaviana Paula de Melo, Célia Pina autorizou a Associação Casa de Cora Coralina, que fica na cidade de Goiás, considerada Patrimônio Mundial da Humanidade, a fazer o gerenciamento de todo Projeto Memorial das Cavalhadas.
A Diretora do Museu Célia Fátima de Pina, desde 2005, atende os visitantes no Museu das Cavalhadas e continua com o trabalho de preservação da memória de sua mãe e de toda cultura pirenopolina. Seu trabalho de esclarecimento sobre todas as manifestações folclóricas incluídas na Festa do Divino Espírito Santo, tem atraído pesquisadores, estudantes e turistas de toda parte do mundo. Isso tem gerado um movimento cada vez maior de pessoas em todas as manifestações folclóricas inseridas a Festa do Divino Espirito Santo de Pirenópolis - Goiás.
Participou, em junho de 2007, em Açores-Portugal, da III Jornada de Migração e Emigração com trabalho de pesquisa sobre a Festa do Divino Espírito Santo e as manifestações folclóricas da cidade de Pirenópolis/GO. Assim, o Museu das Cavalhadas faz parte de uma rede de relacionamento internacional promovida pela Direcção Regional de Açores/Portugal - Presidência do Governo Comunidades.

6.2.1 O Museu das Cavalhadas em Portugal

As tradições seculares, de origem Européia, como a Festa do Divino Espírito Santo e as Cavalhadas de Pirenópolis/GO, promoveram o intercâmbio e o reconhecimento do Museu das Cavalhadas na Câmara Municipal de Ribeira Grande - Açores - Portugal, por meio da carta, cuja referência 6659 data de 21/10/2004.
Com a visita ao Museu das Cavalhadas por Ana Maria Albuquerque Taveira, da Câmara Municipal de Ribeira Grande, iniciou o intercâmbio cultural de informações e cortesias a exemplo: o recebimento de cartas, livros e peças artesanais como dois bois e um cavaleiro, tudo expostos no Museu.
Em 2006, Célia Pina recebe nova correspondência da Câmara Municipal de Ribeira Grande emitida pela Directora Regional Dra. Alzira Maria Serpa Silva, referência SAI DRC/2006/1234 72-66/12 Horta 2006607.26, nesta correspondência são solicitadas informações sobre o Museu das Cavalhadas. Assim, selou-se uma aproximação cada vez mais efetiva entre o Museu das Cavalhadas e a Câmara Municipal de Ribeira Grande que resultou na participação da Diretora Célia Fátima de Pina no evento "III Jornadas de Emigração e Imigração/ Comunidades, em Santa Cruz da Graciosa - Portugal, de 23 a 29 de junho de 2007, cuja pesquisa trata-se da História da Comunidade, do Museu das Cavalhadas e da Festa do Divino Espírito Santo, para formação de uma rede de relacionamentos.
Em 2008 Célia Fátima de Pina participará de 16 a 19 de fevereiro em Lisboa/ Portugal da Reunião Intermediária da Diáspora Açoriana, onde serão discutidas informações teóricas e práticas que estarão disponíveis no portal vocacionado para as comunidades açoriana e de origem açoriana.

6.3 A Gestão Cultural no Museu das Cavalhadas

Diante de iniciativas particulares encontramos uma preciosidade de artefatos, documentos, filmes, fotos, indumentárias e etc., que fazem parte da identidade e cultura de uma determinada comunidade, como no Museu das Cavalhadas. Essas iniciativas particulares têm despertado em indústrias como a Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRAS o desejo de ofertar melhorias nas condições que garantam a preservação cultural. O Projeto Memorial das Cavalhadas enviado ao Programa Petrobras Cultural em 2005, e deferido em seleção pública em 2006, exemplifica bem esta questão. Tal projeto foi aprovado em 2007 pela lei Rouanet - Ministério da Cultura, PRONAC 069688, e iniciado em janeiro de 2008. Com isso, houve u incentivo maior para a criação do Instituto Kavalhadas - IKa., idealizado pela Gestora de Patrimônio Cultural Flaviana Paula de Melo e a Gestora Pedagógica Viviane Teles Ribeiro Pina. O IKa. objetiva democratizar, preservar o patrimônio cultural Brasileiro em especifico das Cavalhadas da cidade de Pirenópolis - Goiás.
A história da Gestão Cultural com o Museu das Cavalhadas data de início do ano de 2004, com a criação do Programa Circuito Cavalhadas, por meio de um encontro interdisciplinar entre a Gestora Cultural Flaviana Paula de Melo e Gestora Pedagógica Viviane Teles Ribeiro Pina. Novos projetos serão traçados, a fim de requalificar, reorientar e reestruturar o Museu das Cavalhadas como patrimônio cultural brasileiro.




ANEXO 1

O museu e eu

Ter um museu
Foi sonho meu

O Museu das Cavalhadas
Todas as coisas coloridas
Na sala dependuradas
Tendo roupas bordadas
E também muito floridas

Mouros e Cristãos ensaiando
Carlos Magno comandando
Cavaleiros encenando
Na arena lutando

É na morte de um espião
Em luta emparelhada
São os Mouros e Cristãos
No campo da Cavalhada

Tem batizado e perdão
Jogos e despedida
Com lenço branco na mão
Choro, hora da partida


Maria Eunice Pereira e Pina
04/05/2002








ANEXO 2

Embaixadas e conferência dos dois reis das Cavalhadas de Pirenópolis:

O Rei Mouro chama seu Embaixador:
_ Embaixador, à minha presença!
O Embaixador se apresenta e diz:
_ Poderoso Senhor aqui estou!
Ordena-lhe o Rei:
_ Vai às partes do Poente, onde se encontra acampado o Exército cristão e diz ao Rei deixe a lei de Cristo e abrace a de Mafoma; que se isto fizer terá paz, honras e, sobretudo, a minha amizade. Mas, se esse partido não quiser abraçar, verá a terra tremer, os clarins romperem os ares, o bronze gemer, o sangue correr aos mares e o meu Mafoma vencer.
Diz o Embaixador:
_ Senhor! Enquanto em meu peito houver alento hei-de, fiel, cumprir vosso régio intento.
Depois de certas exigências, apresenta-se o Embaixador Mouro no acampamento do Rei Cristão e diz arrogante e irreverente:
_ O Monarca esclarecido, o poderoso Sultão que, qual raio ou qual trovão, neste mundo é tão tremido, te comete por partido, que se fizerdes isto, terás paz, honras e, sobretudo a sua amizade em tudo o que tens visto, mas se esse partido não quiserdes abraçar, verás, ó Rei atrevido, a terra tremer, os clarins romperem os ares, o bronze gemer, o sangue correr aos mares e o meu Mafoma vencer.
Responde-lhe o Rei Cristão:
_ Atrevidas e arrogantes foram as palavras que acabastes de pronunciar perante minha alta soberania e fidedignos vassalos de minha corte. Não fossem as leis do meu Império, consagradas as três pessoas da Santíssima Trindade, aplicar-vos-ia o merecido castigo. Entretanto, voltai e dizei ao vosso Rei que não me assustam inimigos tropas nem as terríveis ameaças com que pretende intimidar os fiéis e destemidos soldados dos meus esquadrões e que em campo estou e em campo espero.
Retruca-lhe o Embaixador Mouro:
_ Ó Rei do juízo vário, outro novo acordo toma, abraça a lei de Mafoma e não sejas temerário, pois se fizeres o contrário, já toda a paz se desterra e eu serei, na mesma guerra, qual raio fulminante que te reduzirá, num só instante, em cinza ou terra!
Responde-lhe o Rei Cristão:
_ Sai-te, desumano, antes que, do peito fraudulento, o coração te arranque.
Diz-lhe o Embaixador Mouro:
_ Retiro-me, por de ti me aborrecer e não por te temer.
Chega o Embaixador Mouro em frente ao seu acampamento e diz:
_ Monarca, Rei e Senhor! Fui as partes do poente onde me mandastes e lá encontrei o Rei ricamente montado, o qual me disse todo irado, que no campo de marte vos espera, onde vereis uma fera, toda cheia de furor, que qual raio abrasador, vos fará cair por terra.
Diz-lhe o Rei:
_ Recolhe-te Embaixador amado, que muito breve serás vingado.
Segue-se o Embaixador do Rei Cristão:
_ Senhor!
Ordena-lhe o Rei:
_ Vai àquele exército de Mouros e dize ao Rei que, por ti, saúda-lo mando e a dizer-lhe envio que deixe de Mafoma, desta vil seita infame, e dos diabólicos ídolos, que tão firmemente idolatra; que se isto fizer, mediante as águas do santo batismo e pequeno tributo ser-lhe-ei amigo. Vai e dize.
Responde o Embaixador:
_ Saberei cumprir o vosso régio mandado.
Depois de pequenas exigências, apresenta-se o embaixador cristão ao Sultão da Mauritânia e diz:
_ O glorioso monarca Carlos Magno, Senhor de todo o Ocidente, manda saudar-vos e, ao mesmo tempo, dizer-vos que deixeis de Mafoma, seita vil e infame, e dos diabólicos ídolos, que tão firmemente idolatrais; que se isso fizerdes, mediante as águas do santo Batismo e um pequeno tributo, será vosso amigo.
Responde o Rei Mouro:
_ Infuriosas forma as palavras com que te referistes ao grande Profeta. Vale-te, entretanto, o indulto de Embaixador. Não fora isso, mandar-te-ia cortar a cabeça e coloca-la na mais alta torre do meu castelo, para servir de exemplo aos teus. Volta e dize ao teu Rei que rejeito as suas vis propostas e que desejo Ter, a sós, com ele, uma conferência, nas lindes dos nossos domínios.
Retorna o Embaixador Cristão e diz ao Rei:
_ Monarca, Rei e Senhor! Fui às partes do Nascente, onde me mandastes e, lá, encontrei o Rei Mouro que, rejeitando vossas propostas, convida-vos a sós com ele, uma conferência, na fronteira de seus domínios.
Diz o Rei Cristão:
_ Recolhe-te, meu fiel Embaixador: a tua vingança a mim compete.
Os dois Reis se dirigem ao centro do campo, um pela extrema direita e outro pela extrema esquerda.
Quando se aproximam, diz o Rei Mouro:
_ Um só passo não dês a frente, sem que primeiro me digas quem és, que lei professas e o que buscas pelas terras da Turquia.
Retruca-lhe o Rei Cristão:
_ A figura que eu represento é, por sem dúvida, a do grande Monarca. Todavia, as tuas perguntas te desmentem, pois não me mandaste dizer há pouco, fque desejavas Ter a sós comigo, uma conferência, nas margens desta baliza? Como me perguntas, agora, quem sou, que lei professo e o que busco pelas terras da Turquia? Não te satisfarei as exigências, sem que, primeiro, me digas quem és e o que buscas pelas terras do meu domínio.
Responde o Rei Mouro:
_ Eu sou o grande Sultão, Senhor da Mauritânia, Senhor do meio sol e de meia lua e de todo mar vermelho. Já disse quem sou. Dize tu quem és.
_ Eu sou Carlos Magno, dos heróicos príncipes da Europa, o mais poderoso. Professo a lei de Cristo e adoro as três pessoas da Santíssima Trindade. E és tu mesmo, bárbaro, o quem eu busco. Vem comigo. Receberás as águas do Santo Batismo e mediante pequeno tributo, ser-te-ei amigo e te concederei grandes honras.
Retruca o Rei Mouro:
_ Eu não quero as tuas honras e nem troco as minhas pelas tuas. Só tenho a dizer-te que o que viestes fazer neste campo para morrer e acabar a vida.
Fala o Rei Cristão.
_ Esta tua sabedoria e arrogância, essa tua insolência e fantasia não se acabam com palavras, mas com o duro fio de minha espada (e avança contra o Rei Mouro)
Fala o Rei Mouro:
_ Detém-te, ó Rei Cristão. Vou te cometer um partido.
Diz o Rei Cristão:
_ Dize, qual é?
Responde o Rei Mouro:
_ Vamos ao campo de batalha. A lei do vencedor será firme e valiosa; A do vencido, falsa, infame e mentirosa.
Fala o Rei Cristão:
_ Muito me custa esclarecer-te uma verdade que tenho por certa, segundo a fé do Deus que adoro e, como conto com a vitória, toma campo, bárbaro, aperta a lança, faze por ser bom cavalheiro que, em breve, te arrependerás.
Retruca o Rei Mouro:
_ E tu morrerás.
Ao chegar ao seu acampamento, dirige-se ao Rei Cristão aos seus soldados:
_ Amigos fiéis companheiros, estamos empenhados no campo de batalha. A fé do vencedor será firme e valiosa; a do vencido, falsa, infame e mentirosa. Não temais que a vitória será nossa.
Diz o Rei dos Mouros aos seus soldados:
_ Fiéis e valentes companheiros. Vamos ao campo de batalha pelejar. Chegou a hora de mostrarmos nosso valor. Mauritanos, sigam comigo que a vitória será nossa.
Pedido de tréguas.
O Rei Mouro chama o seus embaixador e diz-lhe:
_ Vai ao acampamento dos Cristãos diz ao Rei que, por minha clemência, mando propor-lhe tréguas por 24 horas.
No acampamento dos Cristãos diz o Embaixador Mouro:
_ O meu Soberano, por sua alta clemência, manda...
Interrompe o Rei Cristão:
_ Basta! Já te entendo. Volta e dize ao teu Monarca que lhe concedo as tréguas que me propõe e que, amanhã, por estas horas, ele, tu e os outros, debaixo de minhas armas estarão mortos ou prisioneiros.
Na hora do Santo Batismo o Rei dos Mouros diz o seguinte:
_ Sinto, aceito as águas do Santo Batismo e reconheço o seu Deus como único e verdadeiro.

Colaboração do historiador Prof. Jarbas Jayme (In memorian)
Contribuição de Luiz Gonzaga Jayme (In memorian)


REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Cavalhadas de Pirenópolis. Goiânia: Oriente, 1974.
CARVALHO, Adelmo. Pirenópolis: Coletânea l727-2000. História, turismo e curiosidades.
CURADO, Glória Grace. Pirenópolis, uma cidade para o turismo. Goiânia: Oriente . l980.
CURSO de Guia - Passeio Histórico - Pirenópolis - Goiás.
DEUS, Maria Socorro de, SILVA, Mônica Martins da. Histórias e religiosidades em Goiás. Goiânia: AGEPEL/UEG, 2002.
FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO. Prefeitura de Pirenópolis. 2007.
FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO. Prefeitura de Pirenópolis. 2006.
JAYME, Jarbas. Esboço Histórico de Pirenópolis. 1 V. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, l97l.
_____. Esboço Histórico de Pirenópolis. 2 V. l97l.
_____. Família Pirenopolina. 1 V.l973.
_____. Família Pirenopolina. 2 V. l973.
_____. Família Pirenopolina. 3 V. l973.
_____. Família Pirenopolina. 4 V. l973.
_____. Família Pirenopolina. 5 V. l973.
MENDONÇA, Belkiss S. Carneiro de. A música em Goiás. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 1981.
MENDONÇA, Juliana de Pina. Turismo e Patrimônio Cultural em Pirenópolis: uma análise dos efeitos sobre a vida social. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2007. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1975.
PEREIRA, Niomar de Souza. Cavalhadas no Brasil: de cortejo a cavalo a lutas de mouros e cristãos. São Paulo: Escola de Folclore, l983.
PINA, Maria Eunice Pereira e. Museu das Cavalhadas. Pirenópolis, 2002.
_____. O museu e eu. Pirenópolis, 2002
PIRENÓPOLIS: Cavalhadas, Festa do Divino Espírito Santo. BRADESCO. Prefeitura de Pirenópolis.
PIRENÓPOLIS: Cavalhadas na Festa do Divino. PIRETUR. Prefeitura de Pirenópolis.
PREFEITURA DE PIRENÓPOLIS. Dados. Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2007.
REINADO E JUIZADO NA FESTA DO DIVINO EM PIRENÓPOLIS. PIRETUR. Pirenópolis, 1991.
SAINT-HILAIRE, Auguste. Viagem à província de Goiás.
SILVA, Mônica Martins da. A Festa do Divino: Romanização, patrimônio e tradição em Pirenópolis (1890-1988). Goiânia: AGEPEL, 2001.
SIQUEIRA, Vera Lopes de. Tradições pirenes. Goiânia: Kelps, 1997.
SUCINTA NOTÍCIA SOBRE A ORIGEM DA CAVALHADA: Sua introdução em Pirenópolis. Colaboração: Jarbas Jayme, Luis Gonzaga Jayme.


NOTAS

[1] Diretora do Museu das Cavalhadas de Pirenópolis

[2] Bandeiras eram expedições maiores e bem equipadas, acompanhadas por guarda militar e financiadas pela Coroa portuguesa que, por sua vez, oferecia terras e títulos àqueles que encontrassem ouro ou pedras preciosas em terras brasileiras.
[3] De acordo com a tradição, a fazenda “Castelhano” pertenceu a um indivíduo vindo de Castela, região central da Espanha, e que por ele fora dado, aos picos que se elevam no espigão divisor das bacias amazônicas e platina Pireneus da Europa.

[4] A coroa e o cetro, ambos em pura prata, foram confeccionados em l826, pelo padre Manuel Amâncio da Luz, quando imperador.

[5] Verônicas (alfenim) e pãezinhos do Divino possuem origem Portuguesa.


 

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Carreiras das Cavalhadas
Carreiras das Cavalhadas


Tabela 1 - População e área
Tabela 1 - População e área


Dados do Município
Dados do Município


Tabela 3
Tabela 3


Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário


Interior da Matriz antes do incêndio que ocorreu em 2002
Interior da Matriz antes do incêndio que ocorreu em 2002


Interior da Matriz actualmente
Interior da Matriz actualmente


Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Igreja de Nossa Senhora do Carmo


Igreja de Nosso Senhor do Bonfim
Igreja de Nosso Senhor do Bonfim


Teatro Sebastião Pompeu de Pina
Teatro Sebastião Pompeu de Pina


Cine Pireneus
Cine Pireneus


Ponte do Rio das Almas
Ponte do Rio das Almas


Casa de Câmara e Cadeia
Casa de Câmara e Cadeia


Museu das Cavalhadas
Museu das Cavalhadas


Museu da Família Pompeu
Museu da Família Pompeu


Casa da Rua Direita
Casa da Rua Direita


Casa da Rua Direita
Casa da Rua Direita


Casas antigas do centro histórico
Casas antigas do centro histórico


Fazenda Babilônia
Fazenda Babilônia


Serra dos Pireneus
Serra dos Pireneus


Pedreira
Pedreira


Rio das Almas
Rio das Almas


Cachoeira do Abade
Cachoeira do Abade


Cidade de Pedra
Cidade de Pedra


Serra dos Pireneus: os três picos
Serra dos Pireneus: os três picos


Morro Cabeludo
Morro Cabeludo


Cavalhadas: Rei Mouro Luiz Armando Pompeu de Pina e Embaixador Mouro João Luiz Pompeu de Pina
Cavalhadas: Rei Mouro Luiz Armando Pompeu de Pina e Embaixador Mouro João Luiz Pompeu de Pina


Batismo dos Mouros à religião cristã
Batismo dos Mouros à religião cristã


Batismo dos Mouros à religião cristã
Batismo dos Mouros à religião cristã


Carreira das Cavalhadas
Carreira das Cavalhadas


Galope
Galope


Revista As Pastorinhas
Revista As Pastorinhas


Contra-dança
Contra-dança


Congo
Congo


Congo
Congo


Congada
Congada


Cartaz da Festa do Divino Espírito Santo: coroa e cetro
Cartaz da Festa do Divino Espírito Santo: coroa e cetro


Quadro com o Imperador do Divino
Quadro com o Imperador do Divino


Reinado de Nossa Senhora do Rosário
Reinado de Nossa Senhora do Rosário


Procissão das virgens
Procissão das virgens


Mascarado
Mascarado


Mascarado
Mascarado


João Luiz Pompeu de Pina dirigindo a Cavalhadinha
João Luiz Pompeu de Pina dirigindo a Cavalhadinha


Mascaradinho
Mascaradinho


Cavalhadinha
Cavalhadinha


Maria Eunice Pereira e Pina: fundadora do Museu das Cavalhadas
Maria Eunice Pereira e Pina: fundadora do Museu das Cavalhadas